sábado, 23 de julho de 2016

Capítulo Um

A Estação de trem St Pancras tinha cheiro de pastel fresco e café, e agora a assinatura do aroma doce e cítrico de Gina. Este último dominando tudo, porque a mãe de Vanessa a estava abraçando com tanta força, que ela achou difícil até respirar. Vanessa ansiava por um gole do café mocha que estava segurando nos últimos 15 minutos, mas ela não queria afastar sua mãe. Elas não ficaram separadas por um dia sequer nesses últimos cinco anos, e era natural que Gina estivesse encontrando dificuldades para deixar a filha ir.
—Tem  certeza  que  é  o que  você  precisa, querida? — Gina perguntou, quando afastou do abraço.
Sim, mamãe, eu tenho. — Vanessa tentou manter a calma e não apontar que ela já havia respondido a essa pergunta três vezes nos últimos vinte minutos.
 Você ainda pode mudar de ideia sobre os planos de viagem. É muito mais fácil conseguir um voo...
Eu não estou atrás do "mais fácil”“, mãe. —Vanessa interrompeu. — Eu gostaria de aproveitar a viagem e curtir um pouco da bela paisagem francesa e italiana. Eu não estou com pressa.
Eu preciso de tempo para tentar reprogramar meu cérebro em pensar que está tudo bem, e tudo o que tenho que me preocupar é se eu usei bastante protetor solar.
Gina balançou a cabeça quando o sistema de áudio tocou e uma voz masculina entediada anunciou a última chamada para o trem Eurostar 14.03 para Paris.
 É melhor você ir, querida. — disse Gina e seus olhos brilhavam com lágrimas.  Os próprios olhos de Vanessa nublaram, e por um segundo ela se perguntou se estava fazendo a coisa certa, deixando a mãe sozinha. Talvez seja a hora de descobrir se podemos caminhar sozinhas - as palavras de sua mãe ecoaram em sua cabeça e afugentou todas as dúvidas.
No momento em que Vanessa sentou-se em sua cadeira, ela cochilou. Esse esgotamento repentino a sufocou, e ela, em primeiro lugar, por puro instinto, pensou que era por causa do câncer. Mas depois, pensando racionalmente, ela percebeu estava "tudo limpo" dentro dela há uma semana, e não sentia melhor ou mais energizada há meses.
Não, não foi o câncer que a fez sentir como se houvesse um saco de batatas pesando sobre o peito. Eram todas as emoções que Stella passou na semana passada - o exame após a operação, receber a boa notícia, ver sua mãe sorrir novamente, mas, em seguida, deixando-a sozinha.
Ela dormiu todo o caminho para Paris. Quando ela acordou, assim que o trem parou na Gare du Nord, Vanessa não pôde deixar de sorrir. Metade do nó que estava pesando no peito desapareceu e ela se sentiu animada e... feliz. Ela enviou uma mensagem de texto a sua mãe para avisá-la que havia chegado a França com segurança, Stella tirou a mala do trem e deu seu primeiro passo independente.
E assim, num piscar de olhos, sua vida mudou para sempre. Ela só não sabia disso ainda.
Eram cinco horas em Paris, e Vanessa tinha cerca de três horas antes que precisasse embarcar no trem noturno Thello para o Milan. Saindo da estação de trem pelas passarelas, ela caminhou até a Gare de Lyon, com mais de duas horas para gastar.
Era um longo tempo para apenas sentar e esperar o trem, mas não o suficiente para dar um passeio ao redor da cidade - especialmente porque ela teria que puxar a mala atrás dela o tempo todo.
O que fazer? Ela pensou, assim que seu estômago roncou e a lembrou que não tinha comido nada desde a pastelaria em St Pancras.
Como uma paciente de câncer de fígado, Vanessa não era uma fã de fast food, porque ela tinha que cuidar da sua dieta. Não, esqueça isso, ela não era mais uma paciente com câncer de fígado. Nem era a garota que havia perdido metade de sua família. Ela era Vanessa Hudgens - prima e amiga de Ashley há muito perdida. Pelo menos por dois meses.
Vamos tentar de novo – Vanessa Hudgens não era uma fã de fast food, ou qualquer comida não saudável. Não só porque ela tinha que cuidar de sua dieta, mas porque ela amava boa comida. Sanduíches Fritos, malcheirosos, plásticos não eram sua praia.
Olhando ao redor, ela esperava encontrar um lugar decente para sentar e comer, mesmo que estivesse em uma estação de trem. E, sabe o que? - Logo à sua direita havia um restaurante que parecia bastante promissor. Chegando mais perto, Vanessa viu que se chamava Train Bleu e se parecia mais com o Palácio de Versalhes do que um lugar para comer. A decoração era tão linda que ela sorriu com prazer - só os franceses para ter um restaurante desses em uma estação de trem!
Suportando os enormes lustres, tetos altos góticos e enormes desenhos pintados à mão em todas as paredes fazia valer totalmente vale a pena. A comida era requintada. Vanessa escolheu a refeição mais complicada para pronunciar, apenas para observar a expressão esnobe do garçom, enquanto ela lutava com as palavras. Fricasséee de Poulet à l”Ancienne era de fato um bocado, mas acabou por ser tão delicioso que Vanessa prometeu lembrar do nome e aprender a dizê-lo corretamente. Para a sobremesa, ela fez outra escolha impronunciável - Croquembouche. Quando o garçom esnobe trouxe até a mesa, Vanessa não podia acreditar em seus olhos. Era uma pirâmide de vidro de  profiteroles de caramelo em uma taça, dentro um fino líquido de caramelo entrelaçava. Era tão lindo que Vanessa se sentiu mal por arruiná-lo - até que ela pegou sua primeira mordida e passou os próximos 15 minutos sentindo o gosto do paraíso na boca.
Assim que Vanessa foi pagar a conta, ela ouviu a primeira chamada para o trem Thello para Milan. Naquele momento ela estava extremamente feliz por ter decidido pegar o trem noturno, em vez do trem de alta velocidade TGV. O trem com uma cama que ela tinha reservado parecia como o céu, após o jantar que ela tinha acabado de desfrutar.
E foi. Vanessa trancou a porta da cabine, estendeu-se na cama e adormeceu antes que o trem tivesse deixado Paris.
Quando ela acordou, eram 04:00hs. O trem estava se movendo a um ritmo  vagaroso e não havia nenhum outro ruído, exceto o suave “Choo-Choo” dos trilhos. Abrindo as cortinas e olhando para fora da janela, Vanessa engasgou. O sol não tinha nascido ainda, mas o brilho de seus primeiros raios estava lançando uma luz exuberante sobre a paisagem. Ela não tinha certeza exatamente onde estavam, mas o cenário era incrível - um viçoso vale rodeado por montanhas, que pareciam tão majestosos como algo saído de um conto de fadas.
Ela definitivamente não estava mais no Reino Unido.
Com esse entendimento, a última das suas preocupações e dúvidas escaparam de seu peito e sua boca se espalhou em um sorriso preguiçoso que cresceu mais e mais até que seu rosto começou a doer. E, mesmo assim, ela não conseguia parar de sorrir.
Enquanto esperava o nascer do sol, os pensamentos de Vanessa deixaram sua própria vida em casa, e flutuaram em direção a seu futuro pelos próximos dois meses. Niki tinha cuidado muito bem dela e de Ashley. Usando parte do dinheiro que ela havia adquirido do seguro de vida do marido, bem como a venda de tudo o que possuía em Londres, Niki tinha comprado uma casa em um bom bairro em Gênova, a uma curta distância do Corso e da praia. Com o resto, ela montou seu próprio negócio quiroprático, que tinha sido muito bem sucedida, e agora ela possuía um pequeno, mas luxuoso centro de SPA.
Niki tinha tentado fornecer tudo para Ashley, para fazê-la sentir-se segura e inspirá-la a viver sua vida ao máximo, apesar de sua terrível perda. Durante os últimos cinco anos, Vanessa e Ashley tinham estado em contato via e-mail ou Skype. Sua prima parecia mais feliz e mais tranquila a medida que o tempo havia passado. Ela também tinha ficado feliz por Vanessa conseguir colocar a sua vida de volta nos trilhos, sem as medidas extremas que  Niki tinha tomado para elas.
Apesar da distância, as duas meninas tinham permanecido próximas, e Ashley era a única pessoa além de sua mãe que sabia sobre o câncer. Lembrou-se tão claramente como ontem, do dia que deu a notícia, Ashley havia quebrado e chorou. Precisou que Vanessa permanecesse calma e composta, garantindo a sua prima que ia ficar bem, em vez do contrário.
A única coisa que Vanessa tinha pedido era que a informação permanecesse entre as duas. Mesmo Niki não poderia saber. Ashley tinha dado sua palavra e fez um voto  imaginário de silêncio, que ambas deram risadas, através de suas lágrimas.
Vanessa sentiu o calor no rosto e percebeu que o sol tinha subido até a metade enquanto ela estava perdida em pensamentos. Era laranja brilhante e suave, acordando o cenário onde o trem estava viajando. Ela lembrou-se de Ashley e seu "período laranja" ela tinha ficado obcecada em encontrar "a sombra laranja perfeita" para usar em um de seus quadros. Foram quatro meses de experiências com cores, e quando ela ficou finalmente satisfeita com o resultado, a sua alegria foi imensa.
A prima de Vanessa era uma artista extremamente talentosa, e não foi uma surpresa para ninguém quando ela escolheu estudar História da Arte na Universidade de Gênova. Ela tinha acabado de terminar seu primeiro ano e já estava com muito mais responsabilidades do que uma garota normal de vinte anos de idade. Reconhecendo seu talento, um de seus professores lhe oferecera um estágio em sua galeria, assim como a deixou ajudá-lo em sua aula de arte. Então, em vez de desfrutar o verão, Ashley estava presa em uma galeria na maioria dos dias e em um estúdio de desenho na maioria das noites. Mas ela adorava. O entusiasmo com que ela falou sobre sua escola e seus —empregos — era contagiante, e Vanessa estava muito feliz por ela.
Ashley se sentia culpada que não seria capaz de ficar tanto tempo com sua  prima como ela desejava, por causa de seus compromissos. Vanessa a tinha tranquilizado, e lhe disse que ela sempre tinha ficado muito bem por conta própria. Elas iriam passar o máximo de tempo juntas quando Ashley pudesse, o que era ótimo. No entanto, Ashley não tinha ficado contente com essa resposta e prometeu apresentar Vanessa a todos os seus amigos mais próximos. As pobres pessoas ficariam presas como sua babá, enquanto Ashley trabalhava. Nenhuma objeção tinha sido autorizada e, conhecendo muito bem a teimosia de sua prima, Vanessa decidiu poupar o fôlego.
Perdida em seus pensamentos, Vanessa nem sequer notou como o tempo voou. Um minuto ela estava olhando para a bela paisagem, e no próximo parecia que o trem  estava parando na Estação central de Milão. O trem InterCity de Gênova estava saindo em menos de uma hora, de acordo com o itinerário de Vanessa. Ela teve tempo apenas o suficiente para esticar as pernas, comprar uma xícara de café e achar seu último trem.
Deixar o trem com ar-condicionado e sair da plataforma Piazza do Principe em Gênova foi um choque. O ar lá fora estava mais quente e mais úmido do que o que ela estava acostumada, em qualquer época do ano. Mesmo no verão, o clima de Londres não poderia comparar com nada perto desse calor. Graças a Deus, Ashley tinha avisado a ela o quão quente seria, e a maioria das roupas que Vanessa tinha embaladas eram vestidos de verão, shorts e tops. Neste exato momento, ela ansiava por um short. O jeans que ela usava estavam começando a derreter em suas pernas e ela tinha sérias dúvidas que seria capaz de tirá-lo. Tirando o casaco, ela o pendurou na mala, Vanessa sentiu um pouco melhor com sua camiseta, apesar de que isso não ajudou em nada com a situação do jeans.
Ela chegou em Gênova ás 09:30 em ponto. Sentindo-se revigorada com o forte macchiato duplo que tomou em Milão, e o fato de que ela havia chegado ao seu destino com segurança, Vanessa puxou a mala para a saída mais próxima. Ela pulou em um táxi, deu ao motorista o endereço e mandou uma mensagem para sua mãe. A resposta veio quase que imediatamente e Vanessa tinha certeza de que sua mãe não tinha dormido a  noite toda, segurando seu telefone e esperando a mensagem que sua filha chegou em segurança em Gênova.
Era isso. Ela estava aqui. Ela podia relaxar e se divertir. Já era hora. 

5 comentários:

  1. Desculpe nao comentar antes... Estou amando essa adaptação!! Está tudo incrível...
    Estou ansiosa pra saber o que irá acontecer nessas férias da Vanessa em Gênova, afinal ela merece ser ffelz depois de todo sofrimento q passou....
    Posta mais!!
    Beijos

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  3. Quero mais... O mais rapido possivel por favor. Tá lindo, tô amando a fic ❤️
    Quero o Zac logo hein.... Posta rapido. Beijão Rafa ❤️❤️❤️

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  4. Capítulo perfeito! Muito ansiosa para o próximo. 💜

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