quarta-feira, 13 de julho de 2016

Prólogo


 — Não, Eric, não começou ainda! O pontapé inicial é em meia hora, você sabe disso. — Vanessa revirou os olhos, mesmo que seu irmão não pudesse vê-la pelo telefone. O maníaco de futebol que ele era, tinha ido a um jogo mais cedo, com seu pai e seu tio e agora eles estavam acelerando de volta para a  casa, porque sua amada Liverpool iria jogar contra o Man U em 25 minutos.
— OK, eu te vejo daqui a pouco. Tchau.
Ela desligou e sorriu. Mesmo que seu irmão fosse quatro anos mais velho que ela,ele nunca olhava para ela como sua irmã mais nova. Eric sempre a  levou com ele,  quando a idade permitia, é claro. Aos quatorze anos, ainda não era permitido a ela ir nas festas dos seus amigos, mas de bom grado ele a levava junto quando iam para os jogos de futebol, shows, boliche ou apenas passear.
Vanessa não tinha muitos amigos. Meninas de sua idade eram estranhas - falando de meninos, maquiagem e roupas o tempo todo. Nenhuma das coisas que figuravam na lista de interesse próprio de Vanessa. Ela preferia sair com os amigos de Eric, que a adotaram como um dos seus. A única menina que ia junto era sua prima Ashley. Vanessa teria gostado de passar a tarde com ela, mas, estranhamente, Ashley tinha declinado a oferta, dizendo  que tinha um monte de lição de casa para fazer. Vanessa tinha suspeitado de que havia um menino envolvido em algum lugar nesse dever de casa, mas havia decidido contra pressionar sua prima por respostas. Ashley diria a ela quando estivesse pronta. E a Vanessa cabia apenas esperar e rezar que sua prima não se transformasse em uma daquelas meninas chatas que desenham corações em seus diários com uma expressão sonhadora no rosto.
Risos ecoaram na sala, quando sua mãe e sua tia entraram pela porta da frente. Elas aproveitaram que os meninos foram ao estádio e tiraram o dia das meninas no shopping. Vanessa tinha educadamente recusado a ir com elas, por que roer as unhas e andar horas a fio pelas lojas, não era sua ideia de uma boa diversão. Ela também se recusou a ir com Eric e seu pai assistir o jogo Charlton vs Fulham, porque só tinham três ingressos, e ela sabia que seu tio Gordon teria gostado de ir também. Ela tinha razão - seu rosto se iluminou quando ela lhe ofereceu o ingresso.
Depois de ter a casa apenas para si, ela tinha se enrolado com um livro e uma xícara de chocolate quente e tempo tinha voado.
   Ei, querida. O que você está fazendo? — O perfume característico de sua mãe encheu a sala, enquanto ela entrava carregando uma tonelada de sacolas, com a tia Niki logo atrás dela com seu próprio conjunto de sacolas em ambas as mãos.
 Oi, mãe. Nada de mais. Apenas lendo.
 Os meninos ainda não chegaram em casa?
— Não. Eric ligou. Eles estão a caminho.
  Bom. Vem, Nik, tenho que esconder as sacolas, antes que Greg chegue em casa e tenha um ataque cardíaco.
 E quanto a mim, Gina? Onde é que eu vou esconder as minhas de Gordon?
  Vamos colocar tudo no armário, e nós vamos contrabandeá-las mais tarde, enquanto eles assistem o jogo.
Seus risos seguiram pelas escadas, e logo Stella ouviu a porta do quarto de sua mãe fechar.


Nicole Tisdale, também conhecida como Niki, tinha sido a melhor amiga de sua mãe, desde que se conheceram em uma convenção médica em Milão há mais de vinte anos atrás. Quando Niki conheceu Gordon, que tinha apresentado Gina ao seu irmão Greg, foi amor à primeira vista. Os quatro são inseparáveis desde então.
Os Tisdales viviam na mesma rua e passavam quase todas as noites juntos. Eles  eram uma grande família, prontos para apoiar e cuidar uns dos outros em todos os problemas.
Muitas pessoas não têm esta sorte, Vanessa pensava.
Sua mãe não só tinha encontrado uma amiga de longa data em Niki, mas elas haviam construído suas vidas juntos, e estavam mais perto do que irmãs.
Vanessa olhou para o relógio, eram cinco horas. A partida iria começar a qualquer momento, assim ela ligou a TV. Se Eric não estivesse em casa em trinta segundos, ele  iria perder o pontapé inicial, e ela iria ouvir isso por dias. Revirando os olhos novamente, ela deixou o livro sobre a mesa do café e foi até a janela para verificar se o carro estava chegando na garagem. Não. Nenhum carro. Nada de Eric.
O toque do telefone fixo a assustou. Ninguém ligava mais no telefone fixo. Talvez seu sinal do celular estivesse fraco, e Eric devia estar pirando por estar atrasado. Suspirando, ela foi pegá-lo, esperando ouvir a voz em pânico de seu irmão. No entanto, ela não reconheceu o número que piscou na tela.
 Olá?
 Olá, é a Sra. Hudgens? —perguntou uma voz feminina educada.
  Não, é Srta. Hudgens, sua filha.
— Srta. Hudgens, chame a sua mãe imediatamente. — A voz era calma, mas insistente.
Os sinos internos de alerta de Vanessa começaram a tocar tão alto que ela mal ouviu as palavras seguintes que viajaram na linha. — Houve um acidente. Sua mãe precisa vir para o hospital de St. George imediatamente.
E assim, num piscar de olhos, sua vida mudou para sempre.
*

Dois meses mais tarde...
  Por favor, não faça isso, Niki. Por favor. — A voz suplicante de Gina fazia Vanessa sentir como se alguém estivesse cortando direto através do seu coração.
Me desculpe, mas eu não posso mais ficar aqui. Sinto muito, Gina, mas eu simplesmente não consigo. Estamos partindo em uma semana.


Niki respirou profundamente, sua voz tremendo. Elas estavam em pé no meio da sala de estar, dois pés as separando, e ainda assim parecia que haviam países inteiros entre eles.
Em breve, haverá, Vanessa pensava.
Depois que seu pai, seu tio e Eric tinham morrido naquele acidente de carro há dois meses, nada havia sido o mesmo. Niki estava completamente perdida. Ela e Ashley haviam se mudado para um hotel e venderam tudo o que possuíam - a casa, o carro, móveis, roupas. Apesar dos melhores esforços de Gina para alcançar sua amiga, Niki se fechou completamente. Ela nem falava mais direito com sua mãe. Este encontro entre as duas foi o primeiro em semanas, e ela só tinha vindo para se despedir pessoalmente.
Ela e Ashley estavam se mudando para a Itália. Niki tinha amado aquele país desde que ela passou um ano estudando na Universidade de Gênova, como estudante de intercâmbio. Ashley tinha sido forçada a estudar italiano desde a tenra idade e, para não   ser deixada para trás, Vanessa tinha se juntado nas aulas particulares de sua prima. Assim, sem qualquer barreira linguística e com alguns amigos íntimos de Niki esperando por  elas, era o lugar perfeito para ir e tentar reconstruir suas vidas.
Sentada no degrau mais alto da escada para que sua mãe não pudesse vê-la, Vanessa enxugou as lágrimas e tentou se sentir feliz por elas. Elas partirem era OK. Depois de tudo o que tinham passado, foi de alguma forma reconfortante pensar que pelo menos duas delas estavam caminhando para melhorar.
Niki saiu sem abraçar Gina. Ela nem sequer apertou sua mão ou algo assim. Nada. Sua mãe conseguiu manter o controle até sua melhor amiga sair pela porta, mas no momento em que ouviu o som suave da fechadura soar de volta no lugar, ela caiu para trás no sofá e começou a chorar. Seus soluços eram tão altos e em tanta quantidade, que ela não conseguia respirar.
Vanessa desceu correndo as escadas e abraçou o corpo frágil de sua mãe com seus braços magros.
 Ssshh, tudo bem, mamãe, você ainda tem a mim. Podemos passar por isso. Um soluço ainda mais alto escapou dos lábios de Gina.
  Você está me ouvindo? Nós podemos fazer isso.
Vanessa não tinha certeza se ela estava tentando convencer sua mãe ou a si mesma, mas isso não importa. Eram apenas as duas agora.
*
Uma semana mais tarde...
Vanessa não estava preparada para ver Niki. Ainda não. Mesmo que  ela compreendesse as razões por trás de sua decisão e lhe desejasse sorte, Niki não era a única que tinha perdido alguém que amava. Sua mãe havia perdido seu marido e seu filho - e agora ela tinha perdido sua melhor amiga também. Vanessa sabia que Gina ficaria bem com o tempo, sua mãe era uma pessoa forte e nunca fugiu de suas responsabilidades e seus problemas. Sua filha era a única coisa que lhe restava para  viver agora, e Vanessa iria ter a maldita certeza de que seria forte por ela.
Eles estavam caminhando para ficar OK.
Vanessa tinha certeza de que um dia ela seria capaz de perdoar Niki por deixar a sua melhor amiga no pior momento de sua vida - mas não ainda.
No entanto, ela sentiria falta da sua melhor amiga loucamente.
 Oi — Vanessa disse quando Ashley abriu a porta. Sua prima sorriu tristemente e afastou-se do limiar, convidando-a a entrar. As duas meninas se abraçaram quando a porta se fechou atrás delas, e ficaram assim por um longo tempo.
*

Quatro anos depois...
  Eu sinto muito — disse o médico, por trás de seus óculos sem aro.
Lágrimas caíam dos olhos de Gina, quando ela olhou para a filha. Vanessa só tinha uma coisa em sua mente - o que sua mãe fez de tão ruim, para merecer que seu marido e seu filho fossem mortos, e agora sua filha fosse diagnosticada com câncer de fígado? Por que ela estava sendo punida de forma tão cruel? Gina Hudgens era a pessoa mais atenciosa, carinhosa, honesta, responsável e compassiva da Terra. Como médica clinico geral, ela ajudava as pessoas a cada dia, como mãe, amava e apoiava sua única filha restante em tudo o que fazia e tinha ajudado as duas a conseguir colocar a vida de volta nos trilhos.
Até hoje, quase poderia ter dito que suas vidas eram boas. Elas haviam aceitado e aprendido a lidar com as consequências do acidente, e se sentiam quase normais. Vanessa tinha terminado o ensino médio e estava ansiosa pelo seu ano sabático, e escolheria uma faculdade depois disso. Gina começou a sorrir de novo, mesmo que houvesse uma sombra constante atrás de seus olhos azuis. Elas saíam para jantar, iam na casa de amigos, ao cinema, e de vez em quando — faziam fins de semana de meninas.
Há uma semana haviam descoberto que o motorista bêbado que tinha esmagado o carro de seu pai e matou três pessoas, estava fora da prisão. Seu veredicto foi uma piada para começar, mas isso era ridículo - ele tinha sido sido condenado a pagar £ 2 mil libras de indenização e oito anos de prisão, mas ficou apenas quatro. Aparentemente, isso era  o quanto a vida de três pessoas valiam - £ 2.000 libras e quatro anos em uma prisão de luxo, com TV, um console de jogos, e um telefone celular ao alcance do braço.
Depois de ouvir sobre a liberdade antecipada do motorista, Gina tinha se trancado em seu quarto e chorado por horas. Vanessa, por outro lado, estava cega pela raiva. Ela fez algo que não a deixou orgulhosa, e agora ela estava sendo punida por sua decisão.
 Há uma boa notícia, no entanto. — A voz quente do médico arrastou Vanessa para longe de seus pensamentos sombrios. — Felizmente, descobrimos o câncer numa fase muito precoce - o que significa que, se operar imediatamente e fizer um  acompanhamento com um ciclo de quimioterapia, você tem uma boa chance de um resultado positivo, mocinha. Se pudermos remover tudo isso, há uma boa chance de que ele não se espalhe para outros órgãos.

*
Dez meses mais tarde...
 Feliz aniversário, querida! — Sua mãe abraçou-a com tanta força que ela quase arrancou o soro gotejando de Vanessa em sua veia. Gina tinha trazido um balão gigante, que flutuava atrás dela e alcançava quase toda a sala.
Obrigada, mãe. E por falar nisso, estou fazendo dezenove anos, não seis. — Ela olhou diretamente para o balão em forma de bolo de aniversário.
Eu não me importo. — Gina beijou a sua bochecha e lhe entregou a corda do balão, esperando totalmente não apenas Vanessa aceitá-lo, mas ficar feliz com isso. A situação toda era tão ridícula que Vanessa não pode deixar de rir - ela estava em um quarto de hospital se recuperando de sua segunda cirurgia do fígado, enquanto sua mãe trouxe balões para celebrar o seu décimo nono aniversário. Uma pessoa mais fraca poderia ficar deprimida por toda a situação, mas não Vanessa. Ela sempre tentou encontrar escondido o positivo por trás de toda as merdas da vida. Neste caso, ela tinha sua mãe com ela, ela ainda estava viva, apesar de ter feito duas cirurgias no ano passado e, mais importante, ela tinha um plano para os próximos meses. Um plano que ela havia compartilhado apenas com Ashley.
Agora, tudo que Vanessa tinha a fazer era dar a notícia a sua mãe.
— Olhe, mamãe, eu preciso falar com você sobre algo. — Gina vincou as sobrancelhas em uma linha preocupada.
 Não é nada ruim, eu prometo. É muito bom, na verdade. — Ela sorriu e sua mãe relaxou e seguiu o exemplo. Reunindo toda a sua coragem, Vanessa deixou escapar seu plano em uma única respiração: — Eu quero passar o verão em Gênova com Ash.
Gina recuou como se a acertassem com um taco de baseball. Não era a reação que Vanessa queria ver, mas era a que ela esperava.
 Antes que você discorde, deixe-me tentar convencê-la, ok?
Gina balançou a cabeça sem dizer uma palavra e Vanessa aproveitou o choque momentâneo de sua mãe. — Eu estive dentro e fora de hospitais nos últimos dez meses. Eu tive a metade do meu fígado retirado e, embora desta vez os médicos estejam muito otimistas de que removeram todos os tumores, eles não podem ter certeza. Em outros três meses, eles me querem aqui novamente para um check-up e, se o câncer estiver de volta...
A voz de Vanessa tremia e ela fez uma pausa para se recompor. — Há uma  boa  chance de que eu acabe na lista de espera de doadores.
Vanessa mordeu os lábios e deu a sua mãe a oportunidade de dizer alguma coisa, mesmo que nenhuma dessas informações fosse nova para qualquer uma delas. Quando Gina não falou, Vanessa continuou:
Agora eu me sinto melhor do que me senti nos últimos meses. Eu sei que a maldita coisa se foi, pelo menos nesse momento. Apesar disso, eu não posso fazer planos para o futuro: ainda não. Eu preciso ir para algum lugar onde ninguém me conhece, onde posso relaxar e talvez até mesmo esquecer tudo isso por um tempo.
Ela fez um gesto em torno dela e sentiu uma lágrima rolar pelo seu rosto. Merda, eu me prometi que não iria chorar.
Em algum lugar que eu possa conhecer pessoas que não pensam em mim como a garota que perdeu seu pai e seu irmão e que agora tem câncer. Eu quero me divertir, mesmo que seja apenas por um par de meses.
Em algum momento, Ginacomeçou a chorar também, fazendo Vanessa se sentir incrivelmente mal. Ambas sabiam que tudo o que ela tinha dito era verdade, mas perturbar sua mãe era como esfaquear seu próprio peito com uma faca de cozinha.
Ok — disse Gina, e até conseguiu dar um sorriso quando ela apertou a mão de sua filha.
Ok? É isso? Após esse discurso? — As duas riram através de suas lágrimas, e Vanessa puxou sua mãe para um longo abraço.
                        Tudo o que você falou é verdade, querida — sua mãe começou, quando elas se separaram. — E eu acho que é uma ideia muito boa. Eu sei que você queria ir há um longo tempo, mas não perguntou porque pensou que eu iria ficar chateada. — Vanessa  abriu a boca para protestar, mas Gina levantou a palma da mão e a cortou. — Não   tente negar. Você estava brava com Niki quase tanto quanto eu. O que ela fez não foi justo - não apenas para mim, mas para você e Ash. Eu sei que você queria perdoá-la e visitar Ash, mas você sentiu como se você fosse me trair de alguma forma.
Como é que ela sabe exatamente como eu me sentia? Vanessa pensou e seus olhos devem ter refletido a sua pergunta, porque Gina continuou:
 Eu sempre sei como você se sente, querida. Você é tão forte e tão   responsável.Se não fosse por você, eu não sei se eu poderia ter...
   Não, mamãe, por favor. Não vá por ai. — Gina fechou os olhos para conseguir recuperar o controle de si mesma, antes que falasse.


Você tem que perdoar Niki. Eu perdoei, há muito tempo atrás. Essa era a sua maneira de lidar com a sua tragédia, assim como ficar em minha casa e reconstruir a minha vida para nós duas era o meu caminho.
 Por que você não falou com ela, então?
Eu não sei. Eu ainda não estou pronta, eu acho. E eu não sei onde sua cabeça está. Tenho medo de chegar até ela e ela me afastar novamente. Tenho medo de que eu seja um lembrete doloroso de seu passado, e talvez ela não queira ser lembrada disso.
Vanessa assentiu, entendendo completamente o ponto de Gina. Era um grande alívio saber que sua mãe tinha perdoado Niki; guardar rancor contra alguém era um fardo enorme e Gina não precisa de qualquer peso extra pressionando seu coração agora.
 De qualquer forma, sobre a sua viagem: Eu acho que é uma ideia maravilhosa. Enquanto Niki estiver de acordo com ela, é claro. Você tem que perguntar a ela. Se ela estiver bem com isso - eu estou.
 Você tem certeza? Você vai ficar bem aqui sozinha?

—  Eu acho que vai ser bom. Acho que precisamos de um tempo separadas, querida. Não leve a mal, mas nós estamos apoiando uma a outra há tanto tempo, que talvez seja a hora de descobrir se podemos caminhar por conta própria, por assim dizer.

3 comentários:

  1. NHAAAW AMEI. Esse prologo ta perfeito amiga.
    Agora que eu achei a Niki uma idiota por ter ido assim...eu achei.
    mesmo com todos os motivos.
    e a V... situação difícil essa dela hein? Meu Deus. espero que fique tudo bem com ela e com a tia Gina. QUERO O ZAC LOGO HEIN? rsrsrsrs
    tá lindo Rafa. posta logo primeiro capitulo <3 beijão

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  2. Eu espero ansiosamente pelo primeiro capítulo. ❤

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  3. wooow amando já
    não demora poxa, queremos saber logo o que se segue kkkkk
    ande logo! bj

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