terça-feira, 9 de agosto de 2016

Capítulo Três

Gênova na parte da manhã era de tirar o fôlego. Apesar da temperatura, o calor não pressionou seu corpo como um aspirador gigante. O ar era fresco e cheirava a sal, mar, café e qualquer outra coisa que Vanessa não conseguiu identificar. Algo exclusivo desta cidade.
Estava relativamente calmo, muitas pessoas não estavam nas ruas ainda. Mesmo que já passasse das oito horas, as ruas estavam começando a acordar. Ashley tinha dito a ela que os italianos não eram madrugadores, a menos que fosse absolutamente necessário. Eles preferiam dormir até tarde no período da manhã e trabalhar até tarde  a noite. Que era muito adequado a Vanessa - que não gostava de acordar cedo, mas achava difícil encaixar sua corrida diária durante qualquer outra hora do dia. Se manter tão saudável quanto possível era sua prioridade, e que a levou para fora de sua cama quente na parte da manhã.
Correr em Londres era uma tarefa árdua. Correr em Gênova - nem tanto. Na verdade, nem um pouco. Vanessa não precisava nem dos seus fones de ouvido para encher a cabeça com a música e silenciar todos os outros ruídos, porque o ruído aqui era maravilhoso. Ela chegou à praia e não conseguia imaginar nada mais perfeito - a areia  era sedosa e limpa, a água espumante sob o sol e, melhor de tudo - não havia ninguém ao redor. Tirando os sapatos, ela os escondeu debaixo de um banco, esperando que ninguém fosse roubá-los ou jogá-los fora, e caminhou com os pés descalços na direção do mar.

Depois de alguns alongamentos leves, Vanessa começou um movimento suave para aquecer os músculos. Ela não conseguia tirar o sorriso do rosto - como podia ser tão perfeito? Em poucos minutos, ela pegou o ritmo até que estava correndo a uma velocidade confortável - não muito lento, mas não tão rápido a ponto de deixá-la sem fôlego. Ela nunca se preocupou com relógios e pedômetros, então ela não sabia qual era sua velocidade exatamente, ou quanto tempo ela corria cada dia. Ela simplesmente fazia isso até sentir que era o suficiente.
Olhando em volta, Vanessa não viu ninguém na frente ou atrás dela, então ela decidiu que poderia brincar um pouco. Ela mal podia esperar para saltar na água - por isso foi o que ela fez. Ela perseguiu as ondas, chutou o mar, espirrou água em sua legging e camiseta, ao mesmo tempo tentando manter-se malhando.
Isso é incrível! Vanessa pensava.
Ela não se sentia tão feliz em um longo, longo tempo.
Por alguma razão, seu cérebro associou a palavra "feliz" com seu salva-vidas, que  era como ela pensava nele agora, e a visão dele saindo da água ofuscou os seus outros pensamentos. Sacudindo a cabeça e tentando ficar focada no seu treino, Vanessa respirou fundo e continuou a movimentar-se ao longo da costa, mantendo uma linha reta e não se distraindo com as ondas. Principalmente.
Foi quando ela o viu. Seu salva-vidas. Correndo. Vindo direto em sua direção.

Sua primeira reação foi de pânico. Tinha sonhado com ele e orou para vê-lo novamente. Mas agora que ele estava bem na sua frente, ela não tinha certeza de que era uma boa ideia.
Ele estava com um short preto e nada mais. Os músculos de seu peito, braços e ombros flexionados a cada passo que dava. A tatuagem em seu quadril se movia em sincronia com o seu corpo e, naquele momento, tudo que Vanessa queria fazer era puxar o calção para baixo e explorá-lo. Com sua boca.
Quanto mais se aproximava, mais nervosa ela ficava, seu estômago parecia estar revirando, e ela estava se sentindo prestes a explodir. Percebendo que o estava  encarando de boca aberta - mais uma vez - Vanessa tentou apertar os lábios, porque ele estava a poucos metros de distância agora.
Dor aguda perfurou seu pé direito e ela caiu em agonia. Não prestando atenção por onde estava correndo, ela tinha pisado direito em uma enorme concha quebrada. Era tão afiada como uma lâmina, e tinha cortado seu pé direito. O sangue começou a correr pela areia, enquanto Vanessa tentava espremer a ferida e reduzir o sangramento.
  Stai bene? — Vanessa ouviu sua voz ao lado de sua orelha e aqueceu o sangue em suas veias como um gole de uísque vinte e cinco anos. Ele estava ajoelhado em frente a ela com uma expressão preocupada em seu rosto perfeito. Como uma completa idiota,  ela estava sem palavras. Seus olhos azuis olhando diretamente para ela, a poucos centímetros de seu rosto, as manchas de ouro neles brilhando ao sol. Suas sobrancelhas escuras erguidas em preocupação, e ela apenas ficou lá, olhando para ele, segurando o pé sangrando e sem dizer nada. Todas as palavras tinham deixado seu cérebro. Ela não conseguia sequer lembrar como dizer "Olá" em italiano, e muito menos qualquer outra coisa. Que bom isso, ela sempre podia culpar a dor mais tarde.
 Eu acho que eu cortei meu pé na concha. — ela apontou para a concha ofensiva.
  Deixe-me ver. — disse o salva-vidas, em um perfeito Inglês, apenas a leve cadência de suas palavras dizendo que ele era italiano.
Vanessa nunca tinha ouvido nada mais sexy.
Ela tirou a mão do corte e o sangue correu livremente na areia. Sua expressão não dizia nada, enquanto ele examinava seu pé. Vanessa não poderia se importar menos sobre seu pé estúpido. Ele tinha um cheiro incrível, e sua proximidade nublava todos os seus outros sentidos, incluindo a percepção da dor. Sem aviso, ele tocou perto da ferida e a resposta de seu corpo idiota foi ir para trás e soltar um suspiro.
  Desculpe. — disse ele, se desculpando com aqueles olhos amendoados incríveis.
Vanessa não podia se mover, respirar ou pensar.
O que há de errado comigo?
  Você está com sorte hoje. — disse ele, os lábios espalhando em um sorriso preguiçoso. O coração de Vanessa parou. Na verdade, se recusou a bater por alguns segundos. Seu sorriso era o epítome de charme - os incisivos superiores e caninos eram maiores do que seus outros dentes, mas a irregularidade do seu sorriso só tornou mais atraente.
 Eu sou um salva-vidas nessa praia, e meu posto é logo ali. — disse ele, apontando para a direita, os músculos ao longo de seu braço roubando a atenção de Vanessa.
Então, ele não se  lembra  de  mim de  ontem. Claro que  ele não  se  lembra.  Ele provavelmente tem meninas olhando para ele o tempo todo.
Mas ainda doía um pouco.
— Eu tenho um kit de primeiros socorros, e vou até lá para pegá-lo, para que possamos fazer um curativo aqui, Ok?
Vanessa assentiu e, estendendo seu corpo completamente ereto, o salva-vidas caminhou em direção ao seu posto. Tudo o que ela podia fazer era  olhar boquiaberta  para ele, desfrutando plenamente de sua traseira. Os músculos em suas costas nuas flexionavam sob sua pele e a graça com que ele se movia surpreendeu Vanessa novamente. Ele deve ter pelo menos 1.83m, e um homem de seu tamanho e largura não deveria se mover tão suavemente. Sem esforço.
Naquele momento, Vanessa estava agradecida pelo seu corte. A vida te traz felicidade de maneiras inesperadas. Se ela não tivesse pisado naquela concha, eles teriam passado direto um pelo outro, provavelmente nunca se encontrando novamente. Seu pé iria se curar em um dia ou dois, mas a sua voz sexy e toque quente iria ficar com ela para sempre.

*
  Ok, me dê seu pé. Eu tenho que limpar a ferida antes de colocar um curativo. — Ele se ajoelhou na frente dela novamente, e Vanessa estendeu o pé em seu colo. Sua pele era macia sob seus dedos e, inesperadamente, ele desejava que pudesse tocar mais  dela. Deitada na areia apoiada sobre os cotovelos, com as pernas finas estendidas para ele, ela era linda. Seu cabelo comprido estava preso em um rabo de cavalo e seu rosto estava limpo, sem qualquer maquiagem. Muito sexy. Seus enormes olhos achocolatados olhavam para ele, em chamas.
  Isso vai arder. — Ela assentiu com a cabeça e ele derramou um pouco de água oxigenada para limpar a areia e sangue restante e esterilizar a ferida.
Um silvo escapou por entre os dentes cerrados, enquanto sua cabeça caiu para trás, arqueando suas costas, e sua barriga flexionando sob sua camiseta. Ele sabia que ela estava com dor, mas a vista diante dele era tão quente, que o short de repente se tornou mais apertado na frente.
Deus, eu espero que ela não perceba, ou ela pode pensar que eu sou algum tipo de pervertido, que tem tesão com dor.
Ele não sabia por que importava o que ela pensava dele, mas importava.  Felizmente, ele usava o calção preto hoje e a cor cobriria qualquer evidência de quanto exatamente ele gostava dela. Pelo menos ele espera.
Após o corte estar limpo, ele enfaixou e a ajudou a se levantar. O topo de sua  cabeça batia logo abaixo da clavícula, e ele não pôde deixar de se perguntar qual seria a sensação dos seus lábios lá.


 Grazie. — disse ela e sorriu. Se ele já não estivesse completamente encantado com ela até agora, seu sorriso o cativaria completamente. Ele imediatamente atingia os olhos e todo o seu rosto se iluminava. Ele tinha a sensação de que a conhecia de algum lugar, mas era improvável. Era óbvio que ela não era local, e não estava aqui há muito tempo, a julgar pela sua pele pálida.
 Se cuide. — disse ele, se virando e correndo na direção oposta. Ele tinha a sensação incômoda de que talvez deveria ter perguntado o seu número. Ou pelo menos o nome dela. Mas o que ela pensaria de alguém que a ajudou e depois daria em cima dela? Ele não ia abusar da situação e viver de acordo com a reputação dos homens italianos. — Pelo menos, não agora. Mas se ele a encontrasse mais uma vez, que Deus o ajudasse,  ele ia fazer muito mais do que perguntar o seu nome.
*
Se cuide? Se cuide? Era isso?
Vanessa estava muito aturdida para reagir, mas mesmo se ela não estivesse: o que   ela deveria fazer? Correr atrás dele? Ela tinha mais orgulho do que isso!
Sim, certo. É por isso que o estava cobiçando como se ele fosse um pedaço de bolo de chocolate e só quisesse lamber o glacê.
Talvez fosse por isso que ele literalmente fugiu - ele ficou chocado. Tudo o que ele fez foi ajudar uma estranho em necessidade e a estranha olhava para ele de boca aberta, com um sorriso babando.
"Em minha defesa, como eu não poderia? Eu nunca conheci um homem que tinha  tal efeito em mim. Eu não sei seu nome, mas eu estava pronta para quebrar minhas pernas em volta de sua cintura. Num piscar de olhos".
Sacudindo a cabeça, Vanessa mancou de volta para seus sapatos. Ela não ia ser capaz de correr por alguns dias, o que significava que ela não iria ter a chance de vê-lo novamente. Pelo lado positivo, ela sabia onde era seu posto e iria tomar sol na praia até que ele aparecesse. Ela ia falar com ele novamente, mesmo que tivesse que fingir seu próprio afogamento e ele fosse obrigado a salvá-la. Novamente.
Quando Vanessa chegou em casa, sentia-se exausta demais para fazer qualquer  coisa, ela tinha dormido apenas algumas horas na noite passada e depois de todos os acontecimentos da manhã, os seus níveis de energia estavam perigosamente  baixos. Tudo o que ela conseguiu foi tomar um café da manhã leve e um chuveiro, antes que ela entrasse em colapso na sua cama.
Ela deve ter dormido por umas duas horas, quando ouviu uma batida na porta.
 Entre.
 Hey. Você está bem? Por que você está na cama? — Ashley estava preocupada, e demonstrou em todos os seus movimentos enquanto se sentava na cama.
Eu estou bem.
  Você tem certeza? — Vanessa apreciava a preocupação de sua prima, mas ela sabia o que ela tentava dizer - ela pensava que estava na cama por causa de sua   doença.
  Eu amo você demais, Ash, mas se você não parar de me tratar como se eu estivesse morrendo, eu vou te estrangular.
  Desculpe — disse Ash, e um sorriso se espalhou em seus lábios. — O que você fez hoje?
Vanessa jogou as cobertas para longe de seu corpo e balançou as pernas ao lado da cama, enquanto pensava exatamente qual a frase que poderia começar sobre os eventos de hoje, sem que sua prima surtasse.
  Por que o seu pé está enfaixado?   Ashley gritou. Tarde demais para esse plano. 
   Eu vou te dizer se você prometer manter a calma. — Ashley murmurou algo como — Desculpe. — de modo que Vanessa continuou: — Eu sai para uma corrida com os pés descalços na praia. Eu não estava prestando atenção para onde estava indo e pisei em uma concha de mexilhão quebrada.
  OK... Como você chegou em casa, toda sangrando?
 Eu não cheguei. — Ashley parecia confusa e Vanessa sabia que era hora de confessar toda a história. — Eu não estava prestando atenção, porque todas as minhas células cerebrais estavam focados no cara que estava correndo em minha direção. Era o salva- vidas que eu te falei ontem. Ele estava de folga e saiu para uma corrida, e eu não podia acreditar na minha sorte quando o vi. E então eu cortei meu pé. Ele  veio me  ajudar, levou um kit de primeiros socorros para fora de seu posto e me enfaixou.
  Por que você está sorrindo? Isso é horrível!
   Horrível? Eu nunca fui mais grata por um dano acidental corporal em minha vida. Vanessa riu e logo Ashley seguiu o exemplo. Relaxada, ela perguntou:
   E então o que aconteceu?
  Nada. Ele me ajudou a levantar, disse, e cito literalmente — Se cuide — e saiu.
Eu nem sequer sei o nome dele.
  Hmmm, isso é estranho.
 É... Pensei que ele estava ofendido porque eu estava cobiçando-o...
   Certo, porque os homens odeiam isso. — Ashley revirou os olhos.
 Não, eu estou falando sério. Ele é tão perfeito que eu não conseguia me conter.
Eu nunca, nunca, encontrei alguém que me fez sentir desse jeito.
 Você sabe o quê? Você veio aqui para se divertir, você merece um caso de verão. Quanto mais quente, melhor.
   Exatamente meus pensamentos.
    Qual é o plano? — Perguntou Ashley, com um sorriso travesso.
   Eu sei onde ele trabalha. Amanhã vamos à praia e eu vou agradecê-lo por "me salvar". No menor biquíni que tiver.
 Perfeito. Eu não vou trabalhar amanhã, por isso temos um programa. Agora, tire o seu rabo alegre desta cama e prepare-se. Todo mundo está chegando em cerca de meia hora.
Ashley preparou tudo e se recusou até mesmo a deixar Vanessa em qualquer lugar perto da cozinha. Ela foi instruída a pegar uma bebida gelada e sentar a bunda na piscina.
   Posso pelo menos começar o churrasco? Eu posso ver que você tem carne suficiente para alimentar uma pequena aldeia chinesa.
    Não, isso é coisa de Zac. Você sabe, homens e churrascos. — disse Ashley, revirando os olhos. Ela colocou a carne e os vegetais em recipientes de plástico perto da churrasqueira. Então, ela trouxe um enorme prato de salada e um jarro cheio de limonada gelada, seguido por um jarro de Prosecco e um prato de petiscos. Colocando tudo em cima da mesa, ela se jogou na espreguiçadeira ao lado de Vanessa. Como se ouvisse a sugestão, a campainha tocou.
Ashley foi abrir a porta, e um minuto depois vozes alegres encheram a casa. Vanessa não pôde deixar de sorrir - tempo quente, churrasco à beira da piscina, Ashley e seus amigos. A vida era boa.
De repente, ela teve um flashback da última vez que ela tinha pensado que sua vida era perfeita - logo antes da ligação sobre o acidente de carro que matou seu pai e Eric. Vanessa esperava agora a sua sorte não virasse, só porque ela estava grata pelo que tinha.
Virando a cabeça para as portas francesas, ela percebeu que sua sorte havia definitivamente virado. Para melhor.

Porque, dando o seu primeiro passo para o jardim, estava o seu salva-vidas.
♥♥♥
Mil desculpas por não ter postado antes como prometi,
mas aconteceram uns problemas 
aqui em casa e depois adoeci, aí não deu.
 Desculpa mesmo,meninas!
Para compensar,amanhã posto o capítulo 4!!!
Então até amanha,xoxo

5 comentários:

  1. Capítulo perfeito demais da conta!!!
    Estou extremamente ansiosa para saber como vai ser esse encontro inesperado hahahah 😍😍😍❤❤

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  2. Capítulo perfeito demais da conta!!!
    Estou extremamente ansiosa para saber como vai ser esse encontro inesperado hahahah 😍😍😍❤❤

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  3. Que capitulo maravilhoso foi esse??? Ameii...
    Doida pra ver o que vai rolar nessa "festinha" com os amigos da Ash....
    Espero que vc esteja melhor...
    Aguardando o próximo capítulo ansiosamente!!
    Beijos

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  4. aiiii to amando a fic posta logooo bjs bjs

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  5. Aaaain Okay que cê já postou o capítulo 4, mas quero comentar nesse aqui também. Nem ACREDITO... Mano que capítulo perfeito Rafa. Adorei ❤️❤️
    "mesmo que tivesse que fingir seu próprio afogamento e ele fosse obrigado a salvá-la." Melhor parte hahaha. O que nós não faz pelo Crush rsrsrs. Amei o capítulo ❤️❤️

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