sábado, 14 de janeiro de 2017

Capítulo Treze

AsApenas Ashley e Vanessa  estavam torcendo para Zac na arquibancada. Beppe não tinha aparecido, nem Gia. Ela provavelmente estava ocupada cozinhando para eles, mas a ausência de Beppe era um mistério. De acordo com Ashley, ele sempre vinha quando Zac jogava.

Zac era muito bom. Ele jogava de forma harmoniosa e inteligente, avaliando cada situação com cuidado e sempre no lugar certo na hora certa. Ele não era um fominha de bola, como Stella havia previsto. Ele passava a bola aos companheiros, muito feliz em envolver toda a equipe na partida. Ele parecia estar em todos os lugares o tempo todo - como ele fazia isso estava além de Vanessa.

Ele fez um gol perto do fim do primeiro tempo. Vanessa se levantou e aplaudiu, sabendo que esse gol era para ela. Zac correu todo o caminho até o fim do campo, sorrindo, e apontando para ela, como se dissesse “Isso é para você”, e piscou. Vanessa soprou-lhe um beijo, e não conseguia parar de sorrir. Por que esse gol era tão importante para ela, ela não tinha ideia. Mas era, e deixou os dois felizes.

Quando as comemorações diminuíram e o jogo recomeçou, Vanessa sentou-se e sorriu para Ashley. Mas ela não estava sorrindo de volta. Naquele momento, Vanessa sabia que Ashley ia dizer algo que ela não iria gostar.

— Nessa, nós precisamos conversar.

— Aqui? Não pode esperar?

— Não. Nós vamos depois para a casa de Gia, vai ter um monte de gente, e eu  não sei onde vamos acabar esta noite, e eu realmente preciso dizer isso. Mesmo que possa fazer você me odiar.

Lá estava ele. Aquele olhar que Ashley guardava para as ocasiões em que daria uma má notícia. Vanessa se preparou e assentiu.

— Você sabe que eu te amo, certo? Eu me importo com você e quero que você seja mais feliz do que qualquer coisa na vida. Mas eu também amo Zac, e eu não quero ver nenhum de vocês machucados.

— Ash, não estamos...

— Por favor, apenas me ouça — Ashley a interrompeu, colocando uma mão suavemente no braço de Vanessa. — Eu conheço Zac também. Eu posso ver como ele se sente sobre você. Eu posso ver que você sente algo por ele também. Em circunstâncias diferentes, isso me faria muito feliz, ver vocês dois juntos, porque eu posso sentir que vocês ficariam bem juntos. Mas agora... — Ela parou, medindo suas palavras, tentando não machucar Vanessa.

— Agora eu tenho câncer — Vanessa disse, não querendo soar amarga, mas foi assim que saiu. Ashley assentiu com a cabeça em concordância.

— E você também vive em outro país. Zac, ele... Vamos apenas dizer que ele não será capaz de lidar com o fato de que você está doente.

— Eu não vou dizer a ele. Eu não quero piedade de ninguém.

— Eu sei. Mas se você der continuidade a essa atração por ele, em poucas semanas, quando você partir, vocês dois estarão com o coração partido.

— Eu sei disso, Ash. É por isso que eu disse a ele, repetidamente, que podemos ser amigos e apenas amigos. Eu lhe disse que não queria colocá-la no meio disso, se algo acontecesse entre nós, e ele pareceu concordar, mas depois ele... Ele só não vai desistir. E eu não sei o que fazer.

Vanessa propositadamente não mencionou o beijo. Ashley iria pirar se ela contasse, e ela não queria lidar com isso agora.

— Experimente manter isso inocente. Amigável. Talvez ele entenda a mensagem. Você também pode tentar sair em um encontro. Com outra pessoa. — Vanessa olhou para sua prima surpresa, e um pequeno sorriso levantou nos cantos da boca dela. — Você veio aqui para relaxar e se divertir, lembra? Faça isso. Seja amiga de Zac, mas saia em um encontro com outro cara. Vá em alguns encontros. Talvez ele entenda o recado e, talvez, você seja capaz de afastá-lo de sua cabeça.

— Falando em encontros, Rico me encurralou no estádio ontem e me convidou para sair.

— Sério? Isso é ótimo. Ele é um bom rapaz. Saia com ele.
Vanessa sabia que Ashley estava certa sobre tudo. No entanto, ela não podia deixar de


se sentir um pouco mal. Era completamente irracional, e ela não tinha o direito de se sentir assim, porque Ashley estava apenas preocupada com seus amigos - tanto ela, como Zac. Mas doía ouvir alguém dizendo exatamente o que ela estava tentando se convencer, e agonizando sobre isso nos últimos dias.

O que tornava real. Não apenas coisa de sua cabeça.

Ela tentou esconder seus verdadeiros sentimentos da melhor forma que pode, conversando e rindo com Ashley pelo resto do jogo. Zac fez outro gol e sua equipe venceu por 2x0. Quando acabou, elas foram até o campo para parabenizá-lo. Ashley deu-lhe um abraço e Vanessa seguiu o exemplo. Era bom fazer o que sua outra amiga estava fazendo, certo?

No entanto, Zac a segurou em seus braços por mais alguns momentos.

— Belos gols. Eu pedi apenas um, você exagerou — ela brincou com ele, e ele riu.

— Eu sempre vou te dar mais do que você pedir — ele sussurrou em seu ouvido, enquanto a soltava do abraço. Seus olhos estavam brilhando com a adrenalina do jogo e com alguma coisa que ela não conseguiu identificar. 
Naquele momento, Zac era o homem mais sexy na Terra, e o único que Vanessa queria em sua vida.

Oh, Deus. Estou ferrada.

*
Zac tinha acordado com um sobressalto. Naquela manhã, ele teve um sonho estranho que nunca teve e tinha, literalmente, pulado da cama quando acordou.

Ele havia sonhado comVanessa. Ontem à noite, quando ela o chamou para pedir-lhe para marcar um gol para ela, ele sabia que ela tinha feito isso para fazê-lo sorrir. Ele se sentiu bem em ter alguém que queria apenas fazê-lo sorrir. Ele não podia tirá-la de sua cabeça depois disso. Ele havia dormido pensando nela, e sonhou que estava com ela, sem nenhum obstáculo. Mas então, do nada, eles estavam em uma estação de trem e Vanessa estava partindo. Ela se afastou dele, entrou no trem e se despediu. 

Zac tinha ficado congelado no local, incapaz de se mover, incapaz de gritar seu nome. Por dentro ele estava lutando, gritando, tentando arranca-la deste trem; por fora ele estava imóvel.

E foi nesse momento que ele tinha acordado.

A sensação de perdê-la ficou com ele pelas próximas horas, até que ele a tinha visto no jogo.

Zac nunca queria se sentir daquele jeito de novo. Ele não a deixaria ir, e ele afastaria tudo e todos que estivessem em seu caminho.

*
Eles chegaram de volta na casa de Zac em alto astral. Zac ainda estava com a adrenalina alta com a vitória, e seu bom humor contagiou Vanessa e Ashley. Niki já estava lá dentro, conversando com a mãe de Zac.

— São eles — disse a mãe de Zac, e levantou-se do sofá. Ela era uma mulher pequena, a imagem exata de Gia, apenas alguns anos mais velha. Seu cabelo era longo e claro, assim como da sua filha, seus olhos eram da mesma cor azul quente como suas duas crianças, mas não brilhavam tão forte como a deles. Eles pareciam mais velhos, de alguma forma triste.
Isso é o que acontece quando você perde o amor de sua vida.

— Zac, querido, você marcou algum gol? — Ela veio até seu filho, e lhe deu um abraço. Ele teve de curvar-se quase pela metade para alcançar o corpo de sua mãe. Vanessa não podia acreditar que uma mulher tão pequena poderia dar a luz a um homem tão grande como Max.

— Yeah. Dois — ele disse com um sorriso torto.

— Esse é meu garoto. — Ela lhe deu um beijinho na bochecha e se moveu para abraçar Ashley.

— E você é Stella. Estou tão feliz em finalmente conhecê-la. — Ela a abraçou e beijou seu rosto. — Vamos todos lá para fora. A mesa está quase pronta. Gia já está lá.

Ela os levou pelas portas francesas até um jardim, que era maior do que da casa de Ashley. Lá também tinha uma piscina e um quintal com uma grande mesa, muitas cadeiras e uma churrasqueira embutida. Gia estava andando agitada em torno da mesa, colocando pratos e guardanapos. Quando ela os viu, imediatamente atribuiu tarefas a todos e, meia hora depois, estavam todos sentados à mesa, apreciando a excelente comida que Gia tinha cozinhado e brincando um com o outro. Ficou evidente que Beppe não iria vir. Ninguém perguntou onde estava, ou se ele ia se atrasar, eles só atentaram a sua comida.

— Beppe está bem? — Vanessa perguntou a Zac, com a voz baixa, para que ele pudesse ouvi-la.

— Eu não sei — Zac respondeu honestamente, a preocupação sombreando seus olhos.

Vanessa não sabia o que dizer ou fazer. Ela não sabia o que era isso tudo, mas ainda queria aliviar as preocupações de Zac. O desejo de tocá-lo e lhe assegurar que tudo ia ficar bem era tão forte que, num impulso, ela colocou a mão sobre sua coxa por debaixo da mesa. Silenciosamente, sem sequer olhar para ela, ele colocou sua própria mão sobre a dela e entrelaçou os dedos.

Ficaram assim pelo resto da refeição, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Durante a sobremesa, o telefone de Zac tocou no bolso e ele o pegou. Era uma mensagem, e suas sobrancelhas franziram no início, mas depois ele sorriu. Virando-se para Vanessa, ele disse:

— É de Beppe. Eu acho. Olha, ele me enviou algumas fotos nossas de ontem à noite. — Ele lhe entregou o telefone para olhar as fotos.
Elas eram adoráveis - uma era do jogo, e eles estavam se abraçando, comemorando um dos gols. O outro era do bar karaokê, e eles estavam dançando perto um do outro, e Vanessa estava com a cabeça inclinada para trás para olhar para o rosto de Zac, que estava falando. Ela estava sorrindo e parecia tão feliz.

É assim que eu sempre fico quando estou com ele?

— Eu não sabia que ele estava tirando fotos da gente. Isso é um pouco assustador. — disse ela, sorrindo. O que ela deveria dizer? Eu amo o quão bem nós ficamos juntos? Como parecemos á vontade um com o outro?

— Sim, ele sempre teve algumas tendências para assédio — Zac respondeu, e seu sorriso combinava com o dela. — Você não pode negar que ele tem talento, apesar de tudo.

— Você pode enviá-las para mim?

— Então, agora você quer as imagens assustadoras?

— Eu não quis dizer que elas eram assustadoras. Eu disse que ele era assustador em tirá-las sem a gente perceber. — Vanessa especificou e Zac riu, enquanto pressionava alguns botões. O telefone de Vanessa tocou. — Obrigada. — ela disse, enquanto pegava o seu telefone.

— Do que vocês estão rindo? — Ashley perguntou, notando a troca entre Zac e Vanessa.

— Beppe me enviou algumas fotos da noite passada. Eu estava mostrando a Vanessa.

Vanessa, instintivamente, olhou na direção de Gia, querendo ver sua reação ao nome de Beppe. Gia visivelmente se encolheu, mas, bancou a completamente desinteressada, tomando um gole de vinho.

— Deixe-me ver? — Ashley disse, estendendo a mão para o telefone de Zac.
O telefone passou pelas mãos de todos, e elas adoraram as imagens. Elsa, a mãe de Zac, jorrou sobre como ele era bonito, então, compartilhou algumas histórias de infância que fez todo mundo, rir enquanto Zac se mexia desconfortável em sua cadeira. Ela passou a contar algumas das travessuras de infância de Gia, e dessa vez Zac riu  enquanto sua irmã se retorcia em seu assento.

Mais cedo do que Vanessa teria gostado, o jantar acabou. Ashley disse que tinha algum trabalho a fazer em seu estúdio, e queria ir para casa, mas Niki estava em profunda conversa com Elsa e queria ficar um pouco mais.

— E você, Vanessa? Você quer ir? — Perguntou sua prima, pegando sua bolsa e indo até a porta. Vanessa hesitou. Se ela fosse para casa com Ashley agora, ela teria que passar o resto da noite sozinha, porque sua prima iria ficar trancada em seu estúdio. Ainda eram apenas 07hs, e ela preferia passar mais tempo aqui.

— Eu acho que eu vou ficar e esperar por Tia Niki, se você tem que trabalhar.

— Sim, sinto muito por isso, mas eu realmente preciso terminar esta pintura para amanhã. Eu a deixei de lado por um tempo, e eu preciso mostrar isso em sala de aula amanhã.

— Claro. Não se preocupe. Eu estou bem aqui. Vejo você amanhã, então. — Ashley caminhou até a porta, depois de se despedir de todos.

Ela voltou e ajudou Gia e Zac a limpar a mesa. Niki e Elsa se mudaram, junto com seus copos de vinho, até as espreguiçadeiras ao lado da piscina, e pareciam estar se divertindo em recuperar o tempo perdido.

— Hey — Zac disse, quando Stella voltou depois de levar o último dos pratos até a cozinha. Ela se ofereceu para ajudar Gia a lavar, mas ela a  enxotou. — Eu tenho que estar no trabalho em 40 minutos — ele disse, e Vanessa sentiu o bom humor evaporar instantaneamente. Percebendo isso, ele se aproximou dela, inclinando o queixo com o dedo. — Você quer vir comigo? É domingo à noite, por isso não vai estar muito cheio e, além disso, desta vez eu não vou estar sozinho e não preciso que você trabalhe.
Ela não precisou de um segundo convite.

*
Zac não sabia por que convidou Vanessa para ir junto. Foi totalmente impulsivo. Ele só queria estar com ela, se possível até ele tivesse que ir para a cama. Aliás, se fosse por ele, mesmo depois disso - mas não era. Ela não estava pronta para isso ainda. Claro, se ele a pegasse sozinha e vulnerável de novo, e não houve telefonema para interrompê-  los, ela passaria a noite com ele. O que o preocupava era ela se fechar para ele de manhã. Ela ia se arrepender do que tinha feito, porque ela não estava pronta para isso ainda. Mas ela estaria. Ele a faria ver o quão bom eles eram um para o outro. Ele a faria conscientemente querer estar com ele, e não apenas por um impulso.

*
O bar não estava tão cheio como foi na outra noite. Havia outros dois caras atrás do bar, mas quando Zac entrou, um deles saiu. Ele a apresentou ao seu colega restante. Seu nome era Francesco e ele era mais jovem do que Zac, provavelmente da idade de Vanessa. Ele tinha toda essa vibração rock-star - cabelo escuro bagunçado com fios roxos saindo aqui e ali; unhas da mão pintadas de preto, piercings na sobrancelha e orelhas. Porém seu sorriso era quente e genuíno, e ele era fácil de conversar. Zac disse que Vanessa era  sua convidado esta noite, e eles se revezariam para entretê-la.
No final da noite, quando o bar estava quase vazio, Zac serviu as últimas bebidas, e logo depois todos foram embora. Ele deixou Francesco e as duas garçonetes saírem, e disse que terminaria e fechava o local.

Quando ficaram sozinhos, ele trocou a música, virou o volume para um nível normal e ofereceu-lhe a mão.

— Eu queria dançar com você a noite toda, mas não tive uma chance. — Ela sorriu e colocou a mão na dele.

A voz mágica de Adele enchia o bar, enquanto ela cantava “Someone like you”. Zac abraçou Vanessa perto, e eles balançavam ao ritmo. Ela não queria que aquele momento acabasse. Era tão perfeito - apenas os dois, nada mais. Ela se permitiu esquecer o resto do mundo, mesmo que fosse apenas na duração da música.



2 comentários:

  1. Meu deus que capitulo maravilhoso...
    A Ashley foi bem inconveniente, mas espero que mesmo depois dessa conversa a Vanessa e o Zac fiquem juntos...
    Por falar isso nao vejo a hora... Ameiiii essa parte da dança hehehe
    Posta mais pleaseee!
    Beijos

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  2. Ai que lindoo, este zac é mesmo um cavalheiro. O capitulo ficou tão fofo, eu só não queria que a Vane saísse ou se encontrasse com o Rico, estou ansiosa para vê-la com o Zac. Posta maiss. Bjoss

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