segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Capítulo Dezenove

Dois dias depois, na sexta-feira à tarde, no meio do filme que assistiam na sala de estar, Ashley começou a ficar inquieta. Ela não parava de bater o pé e brincar com seu cabelo. Vanessa não disse nada, porque não estava se sentindo particularmente interessada em abrir essa caixa de Pandora novamente. No dia anterior, Ashley parecia quase de volta ao normal - elas tinham passado o dia na praia, enquanto Zac estava trabalhando lá e tinha sido divertido. À noite, Zac teve que trabalhar novamente e Ashley não estava com vontade de sair, então ficaram em casa, cozinharam e jantaram juntas com Niki quando ela voltou do trabalho. Perfeitamente normal. Então por que estava batendo o pé agora?

— Vanessa, acabei de me lembrar que tenho que fazer uma coisa.

Surpresa, surpresa.

— Você vai ficar bem aqui por um tempo? Não devo demorar muito.

Vanessa olhou-a com curiosidade, imaginando se deveria bater firme nos calcanhares  e exigir a verdade - se não toda a verdade, pelo menos algum tipo de  explicação. A julgar pelo comportamento nervoso de Ashley, isso não daria certo. Ela viria com outra mentira para afastar Vanessa de suas costas, e ainda assim sair e fazer o que ela realmente estava planejando.

— Está tudo bem, Ash, você não tem que pedir minha permissão. Se você tiver algo para fazer, vá e faça.

Ashley saltou em seus pés e, agarrando a bolsa da cadeira ao lado da mesa do café, correu para fora.

Vanessa desejava ter um carro, para que ela pudesse segui-la.

Espere - o quê?

Será que ela realmente pensou isso? Dirigir um carro era algo que Vanessa nunca faria. Mas então, por que ela só queria fazer isso?

Ignorando o pensamento, ela pegou o telefone e mandou uma mensagem para Zac.

Vanessa: Ashley saiu correndo novamente. Aposto que ela está indo para o mesmo lugar que esteve antes.

Zac: Merda. Eu estou preso no trabalho até quatro. Eu vou para aí assim que terminar aqui.

Vanessa: Eu tenho uma sensação que ela não vai voltar até lá. Ela vai trabalhar hoje à noite.

Zac: Eu vou me arriscar. Além disso, eu quero vê-la.

Vanessa: OK. Nos vemos mais tarde.

Vanessa passou as próximas horas incapaz de se concentrar em qualquer coisa, se perguntando o que diabos poderia deixar sua prima tão equilibrada agir dessa  forma. Zac chegou um pouco depois das quatro. Ele usava calça jeans e uma camiseta preta, o cabelo ainda molhado, e parecia ter acabado de tomar um banho.

— Ela está de volta? — ele perguntou, enquanto caminhava até o sofá.

— Não. Eu tentei ligar para ela, mas caiu na caixa postal.

— Você se importa se eu ficar por um tempo?

— Claro que não. O que você quer fazer?

— Chutar o seu traseiro no beisebol. — disse ele e sorriu, porque Vanessa tinha realmente arrebentado nesse jogo na última vez que eles jogaram.
— Você terá sua chance.

Eles jogaram por um tempo, e em um momento Vanessa conseguiu balançar tanto, que perdeu o equilíbrio e caiu no sofá, atirando o controle remoto direto na parede no processo. Ele caiu no chão com um baque, suas baterias pulando para fora. Zac riu tanto que teve de ajoelhar no chão para se firmar, enquanto Vanessa o repreendeu com um olhar desagradável.
Ela odiava perder.

— Uh-oh, eu quebrei o controle remoto — disse ela, com um fingido pesar. 

— Pena que não serei mais capaz de jogar esse jogo idiota. — Ela caminhou até a cozinha e se serviu de um copo de água. Zac a seguiu, ainda rindo. — Pare de rir, ou você vai ser a próxima coisa quebrada.

— Oh, eu estou tão assustado. Você pode fazer alguns danos sérios com essas suas pequenas mãos. — Seu sorriso nunca deixou seu rosto e seus olhos brilhavam de felicidade. Vanessa gostava de vê-lo assim e estava absolutamente encantado com a ideia de que ela era a razão pela qual ele estava tão feliz agora.

Seu telefone tocou e ele enfiou a mão no bolso de trás para obtê-lo.

— Yeah. O quê? Não, cara. Estou com Vanessa. Estávamos jogando beisebol e ela propositadamente jogou o controle remoto na direção da parede e quebrou. Porque ela é uma porcaria em beisebol. Eu sei. — Mais risos. Vanessa estava olhando para ele e ele  achou ainda mais engraçado. 

— Oh, vamos lá. Hoje à noite? Não, eu não tenho planos. Pode ser qualquer lugar. Bem, apenas pare de falar e eu vou. Não, eu vou esperar por você aqui. Tchau.

Ele colocou o telefone de volta no bolso e exalou alto.

— Eu estava esperando que pudesse ficar aqui e esperar por Ash, mas Beppe quer que eu saia com ele.

— Não se preocupe, ela provavelmente não vai estar de volta até bem mais tarde de qualquer maneira. — Vanessa tentou mostrar despreocupação, como se não fosse  grande coisa, mas por dentro ela estava furiosa.

— Você tem certeza? Eu posso cancelar, tranquilo, e podemos esperar por ela juntos.

— Beppe não vai deixá-lo em paz, até que você saia com ele, então basta ir. Eu vou falar com ela quando ela voltar. A última vez você não foi de muita ajuda de qualquer maneira.

Ignorando seu último comentário, ele disse:

— O que você vai fazer a noite toda? — Ele parecia preocupado e por algum motivo Vanessa não gostou dessa vez. Dois minutos atrás, eles estavam rindo e agora o clima entre eles havia mudado completamente. Vanessa sabia por experiência própria que não demorava muito para que as coisas mudassem drasticamente, mas ainda a enervava.

— Não se preocupe comigo. — Ela lhe deu um sorriso forçado e, passando por ele, voltou para a sala de estar.

Eles navegaram pelos canais de TV sem rumo, até Beppe buscar Zac.
Depois que Zac tinha partido, Vanessa não conseguia decidir o que fazer. Ela não conseguia ficar parada ou prestar atenção em qualquer coisa. Sua mente era um turbilhão de pensamentos - aonde iriam? Será que eles iriam se envolver com algumas meninas? Zac iria se divertir? Ele ia dançar com alguém, tocá-la, beijá-la? Ele ia levar alguém para casa com ele?

Ela nunca tinha sido tão ciumenta em sua vida, embora ela soubesse muito bem que ela não tinha o direito de estar com ciúmes de Zac ou com raiva dele. Ela não era a namorada dele e ele podia fazer o que diabos ele quisesse.

E, no entanto, o pensamento dele com outra pessoa a deixava completamente insana.

Então, ela ficou com raiva de Ashley, se sua prima estivesse aqui, elas poderiam ter saído também, ter um pouco de diversão, afastar suas mentes das preocupações. Mas ela não estava, e Vanessa estava presa em casa, sozinha e inquieta.

Bem nessa hora o telefone dela tocou. Antes que ela sequer olhasse para ele, as palavras de sua mãe ecoaram em sua cabeça:

Tudo acontece por uma razão... Nada é coincidência... Às vezes temos que assumir riscos e explorar as possibilidades que se apresentam diante de nós.
Ela esperava que fosse uma mensagem de Zac, dizendo o quão entediado ele estava, e como ele queria estar lá com ela.

Mas não era.

Rico: Hey, você quer sair amanhã? Ver um filme?

Vanessa: Que tal hoje à noite?

Rico: Claro. Vou buscá-la em meia hora.

Essa era a sua chance de sair da casa. Se ela ficasse mais tempo aqui, ela ficaria completamente louca. E, além disso, por que ela não poderia  sair com  Rico? Se Zac estava livre para sair e pegar as meninas com Beppe, por que ela não deveria sair com Rico para ver um maldito filme?

Vanessa vestiu-se rapidamente em um vestido navy simples e sandálias de salto alto. Ela deixou os cabelos soltos sobre os ombros e colocou rímel e brilho labial. Pegando a bolsa, ela desceu as escadas para esperar Rico.
Sua tia chegou em casa naquele momento.


Oh, hey, querida. Você vai sair?

Yeah. Eu estou esperando alguém vir me pegar.

Oh? Ashley está vindo? — Niki tirou os sapatos e se dirigiu para a cozinha, Vanessa a seguiu.

Não. Ela está trabalhando hoje à noite. — Por um momento, Vanessa pensou em falar para sua tia sobre Ashley, mas decidiu contra. Ela tentaria falar com sua prima mais uma vez primeiro e, em seguida, acionar as grandes armas.

Tudo bem, então tenha uma boa noite. E certifique-se que quem te pegar traga você de volta também. Eu não quero você andando pela cidade sozinha à noite. — Vanessa concordou com a cabeça e, beijando-a tia, saiu pela porta da frente, assim que o Honda Civic preto de Rico estacionava na porta.

Ela se sentou ao lado dele, trocando os beijos habituais em ambas as faces, e eles foram embora. Vanessa estava nervosa no carro - ela confiava em Zac e não sentia á beira do pânico quando ele dirigia, mas estar em um outro carro com alguém que mal conhecia era um pouco enervante. Não querendo mostrar seu medo e parecer estranha, ela estampou um sorriso no rosto e manteve-o lá até que tinham estacionado no cinema.

Rico era o perfeito cavalheiro - ele nunca permitia silêncios desconfortáveis, sem esforço mantendo uma conversa fiada. Ele era realmente um cara muito legal, muito inteligente e engraçado. Logo Vanessa começou a divertir-se, e conseguiu afastar Zac completamente fora de sua mente.

Eles viram o mais recente sucesso de verão, observando a cidade de Nova Iorque ser destruída pela milionésima vez. Rico não fez qualquer movimento em sua direção na escuridão do cinema, e Vanessa conseguiu relaxar completamente, apreciar o filme e a pipoca, e esquecer o mundo, pelo menos por duas horas.

Ela estava tão feliz que tinha saído à noite.

Quando o filme acabou, Rico levou-a para fora do cinema, mas não em direção ao estacionamento.

Para onde estamos indo?

Eu conheço uma sorveteria não muito longe daqui. É uma noite quente, então vamos dar uma caminhada e tomar um sorvete. — Ele sorriu, encorajando-a e a puxou pela mão.

Havia muita gente lá fora, era sexta-feira à noite, depois de tudo. Vanessa não estava cansada ainda, então que mal poderia ter em tomar um sorvete? A sorveteria realmente não estava longe. Eles compraram uma tigela cheia de três sabores diferentes para cada um, e voltaram caminhando devagar, saboreando cada mordida.

Logo, o sorvete começou a derreter, e quando Vanessa pegou um pouco com a colher e levou-a até sua boca, um pouco derramou na parte da frente do vestido. Rico, como o cavalheiro que era, ofereceu um lenço de papel, mas Vanessa tinha a taça em uma das mãos e a colher na outra e não podia pegá-la. Ele então começou suavemente a limpar a mancha de sorvete e Vanessa riu com seu nervosismo. Todo o seu comportamento mudou naquele momento, e seus olhos ficaram sérios quando ele baixou a cabeça, e envolvendo-a em seus braços, a beijou.

Ela ficou chocada, porque ele não tinha feito qualquer movimento em direção a ela toda a noite até então, nem mesmo um comentário mais provocador - e então de repente ele a beijou!

Seus lábios estavam frios e tinha gosto de sorvete. Foi um bom beijo, mas nada comparado com os beijos de Zac. Se os lábios de Zac nunca tivessem tocado o dela, ela provavelmente teria gostado de beijar Rico. Infelizmente, esse não era o caso e ela não sentiu nada enquanto o beijo durou, ou depois. Delicadamente afastando-o, Vanessa olhou para ele intrigada.

— Desculpa. Eu apenas... Eu queria fazer isso desde aquela noite no clube. Eu queria esperar até mais tarde esta noite, mas eu só... Não podia. — Ele parecia um pouco envergonhado com isso e Vanessa decidiu contra fazê-lo se sentir pior. Ela apenas sorriu e acenou com a cabeça, e voltou para o carro.

*
Zac saiu do bar com Beppe em seus calcanhares. Sua noite estava indo de mal a pior. Seu amigo continuava empurrando mulheres para cima dele, mas ele não estava interessado. Beppe se queixou de que Zac não o estava ajudando a conseguir nenhuma mulher assim, e ele provavelmente voltaria para casa hoje à noite de mãos vazias. Eles tinham decidido ir para outro bar, porque Zac estava incrivelmente inquieto.

Enquanto se dirigiam para o outro bar com Beppe em sua cola, Zac parou abruptamente. Ele não podia acreditar em seus olhos. Vanessa estava do outro lado da rua com Rico - e ele a estava beijando.


Sua visão ficou turva e viu tudo vermelho. A raiva não era uma palavra forte o suficiente para descrever como se sentia. Zac estava apenas consciente de Beppe puxando seu braço, tentando levá-lo para longe da cena que se desenvolvia diante deles.

Eu vou matar esse filho da puta. — rosnou Zac, assim que Beppe arrastou-o para uma rua lateral.

Acalme-se, homem. — Beppe estava com a mão no peito de Zac, impedindo-o de correr em sua direção.

Acalme-se? Acalme-se? — Zac gritou. — Ele a estava beijando! Ele tinha as mãos sobre ela. Eu vou matá-lo. Solte-me! — Ele continuou gritando e tentando empurrar Beppe, mas ele era forte, embora não tão grande como Zac.

Ou se acalme, ou eu vou prendê-lo no chão até que você faça. Sua escolha. — A voz de Beppe estava fria e intransigente, e chamou a atenção de Zac. Ele assentiu e Beppe tirou a mão. Zac amaldiçoou em voz alta, e enfiou as mãos pelo cabelo.

Eu não posso acreditar nisso. Eu pensei que tínhamos algo. Por que ela saiu com ele?

Ela não é sua namorada, homem. Você está na rua para pegar garotas.

Estou aqui por sua causa. Você me obrigou a deixá-la, e vir para ajudá-lo a pegar uma garota. Pensando bem, tudo isso é culpa sua. Você que apresentou aquele babaca a ela na primeira noite que saímos.

Não tente jogar a culpa de seu comportamento irracional em cima de mim. Naquela noite, você estava com Antônia em cima de você, se bem me lembro. Como eu ia saber que você tinha sentimentos por Vanessa?
Zac estava andando para trás e para frente, nem mesmo ouvindo o que Beppe estava dizendo. Sua cabeça estava tonta com a confusão, raiva e decepção.

Isso tudo é fodido. Eu não posso mais fazer isso. Estou cansado de balançar para trás e para frente com ela, e só quando eu acho que temos algo, ela sai com alguém e o beija no meio da porra da rua.

Zac, você precisa se acalmar. Eu odeio dizer isso, mas você está perdendo o controle, cara. Eu não gosto disso. O que teria acontecido se eu não estivesse aqui agora? — Zac parou de andar, seus olhos esfriando. — Será que Rico estaria no hospital? Assim como a última vez que você perdeu o controle?

O corpo de Zac ficou rígido quando ele endireitou os ombros, a determinação inundando seus olhos frios.

Eu não sou mais aquela pessoa e você sabe disso. Quando você vai parar de jogar o meu passado na minha cara? Tem que jogar isso na cara a cada maldita chance que tem?

Eu sinto muito. — disse Beppe, erguendo as mãos na frente. — Eu não deveria ter dito isso. Apesar de tudo, ainda estou preocupado com você.

Você não tem que estar. Acabou, eu encerrei tudo.

Ele afastou-se, deixando Beppe ir até o próximo bar sozinho.
*
Quando Rico estacionou o carro na garagem para deixar Vanessa, ele se virou na direção dela para dar outro beijo. Ela afastou-se.

— Olha, Rico, você é um cara legal e eu me diverti muito esta noite — ela começou, quando ele se afastou dela confuso. — Mas eu não quero me envolver com você. Eu gosto de outra pessoa.

Rico assentiu, a compreensão inundando seus olhos.

Zac?

Sim. Me desculpe, eu não deveria ter saído com você.

Não, Vanessa, tudo bem. Eu me diverti, eu estou feliz que saímos.

Vanessa assentiu com a cabeça e, sem dizer uma palavra, saiu do carro.

♥♥♥
Estou muito feliz com os comentários 
e que vocês estejam gostando da história!
E garanto, ela só tende a melhorar *-*
Marilia, isso realmente é um livro que tenho, 
por isso resolvi adaptá-lo para o universo Zanessa! 
No lado direito da página você pode ver a capa na versão original...
Até mais meninas,xoxo 

5 comentários:

  1. OMG! Eu não quero nem ver no que isso vai dar...
    Vc tem que continuar pelamor de deus!!
    Eu amei o capítulo e continuo curiosa sobre o segredo da Ash...
    Posta mais please!
    Beijoes...

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  2. A Vane tem que falar logo para o Zac o que ela sente por ele e arriscar, sem medos, sem barreiras. Os dois se amam. Aah estou tão curiosa para saber mais da história. Posta mais logo, estou muito ansiosa. Bjooos

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  3. Eles vão se entender não é? Pfv me diga q sim! Posta mais logo

    Xoxo

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  4. Será q o Zac vai na casa da Vanessa?
    Amei o capítulo.
    Posta logo por favor...
    Eles vão se entender não é? Por favor me diiz q sim!!

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  5. Oh mds eu ainda quero saber aonde a Ash vai ela tá mto misteriosa. Aí mds é tão fofa a nessa com ciúmes 😍😍. Cara n acredito q ela beijou o rico 😣 isso vai dar uma confusão quero só ver quando o Zac ver ela é dizer que viu. Aí mds espero q eles se resolvam amei bjs 😘😘❤

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