terça-feira, 7 de março de 2017

Capítulo Vinte e Cinco

— Posso supor que, se estava tudo bem eu ficar a noite passada, temos a bênção de Niki? — Zac perguntou, enquanto ele cortava os peitos de frango em cubos. Depois de tudo o que aconteceu hoje, Vanessa tinha esquecido completamente de lhe dizer como as “negociações” com Niki e Ashley tinham sido.

Ela resumiu o que cada uma delas tinha dito, deixando alguns dos detalhes de fora, e expressou sua preocupação com a reação calma de Ashley - especialmente depois que ela tinha reagido tão negativamente quando pensou que Zac tinha passado a noite  lá  apenas cerca de uma semana atrás. No final, ambos concordaram que a chave para a recente esquisitice de Ashley era o seu encontro secreto, e estavam mais determinados do que nunca a descobrir exatamente o que estava acontecendo.

Niki chegou em casa, assim que Zac estava tirando a beringela para fora do forno,  e foi seguida logo depois por Ashley. Ambas estavam entusiasmadas com a refeição, porque estava cheirando muito bem, e parecia deliciosa. Depois que elas saíram para se refrescar e trocar de roupa, Zac e Vanessa fizeram a salada e colocaram a mesa.

—Vamos lá, gente, eu estou morrendo de fome. — Vanessa gritou, assim que elas retornaram a cozinha.

—Jesus - alto demais — Ashley disse, e pegou seu lugar na mesa.

—Eu estou com fome. Não mexa comigo agora — Ashley levantou as mãos na frente e revirou os olhos.

Todos pareciam famintos, e atacaram sua comida, que estava deliciosa. Zac tinha um talento para cozinhar, assim como sua irmã. Quando a barriga começou a encher, o clima ficou ainda mais descontraído, e a conversa começou a fluir.

Quando o jantar acabou, Niki e Ashley se ofereceram para limpar, já que Vanessa e Zac tinham cozinhado, e depois de uma objeção hesitante, eles concordaram. Era muito cedo para ir para a cama, e tanto quanto Vanessa queria trancar Zav em seu quarto, e tê-lo todo para si mesma, ela achou que seria rude com sua tia e Ashley. Ela o levou até o sofá e, aconchegando-se ao lado dele, começou a passear pelos canais de TV, até que encontrou um filme do seu gosto.

Ash, apresse-se, “Step Up” acaba de começar — ela gritou em direção a cozinha, um pouco perto demais da cabeça de Zac.

Ouch! — Disse ele, esfregando a orelha.

Desculpe, querido! Me animei um pouco. Você está bem?

Eu acho que estou muito ferido, você pode dar uma olhada e talvez , eu não sei,me dar um beijo? Ou cinco? — Ele sorriu, enquanto Vanessa se inclinava para dar um beijo.

Ok, eu não quero ver isso. Vocês podem, por favor, se limitar ao estilo familiar até que o filme acabe? — Ashley disse, entrando na sala de estar e se jogando sobre o pufe ao lado deles.

—Na verdade, não, eu acho que não.— respondeu Zacv, beijando Vanessa novamente e piscando para ela quando se afastou.

Ashley vasculhou a prateleira debaixo da mesa de café e pegou seu caderno de desenho e um lápis. Vanessa tinha notado antes que, quando todos se reuniam na sala para assistir TV ou conversar, sua prima iria sentar e esboçar, e ao mesmo tempo totalmente tomar parte na conversa.

Que parte é essa? — Perguntou Ashley.

Eu acho que é a três.

Vocês estão falando sério sobre isso? Vamos assistir a um filme de dança? — perguntou Zac.

Sim. — ambas responderam juntas. Zac deixou cair a cabeça para trás no sofá quando ele exalou alto, deixando elas saberem que ele não estava feliz com isso.

*
Zac, acorde — alguém sussurrou, e empurrou-o pelo braço. Abrindo os olhos até a metade, ele percebeu que era Ashley. A TV estava desligada, e Vanessa estava dormindo ao lado dele. — Eu acho que todos nós devemos ir para a cama. — Ela apontou para Vanessa.

Eu cuido dela. Você pode subir. — Ashley acenou com a cabeça, e subiu as escadas.

Zac não queria acordar Vanessa. Ela parecia tão calma e linda quando dormia. Em vez disso, ele se levantou e, tão suavemente quanto pôde, pegou-a e a levou para cima. Ele conseguiu abrir a porta de seu quarto sem acordá-la e colocá-la na cama. Ela resmungou algo baixinho, mas não acordou. Aconchegando-se ao lado dela, Zac puxou as cobertas sobre eles e, lentamente, a puxou contra ele, até que todos os contornos do seu corpo fundiram com o dele.

Quando ele acordou, o sol já estava alto, brilhando através das janelas no quarto de Vanessa. Ele tinha esquecido de fechar as cortinas na noite passada. Vanessa dormia enrolada em seu lado, praticamente na mesma posição que estava a noite passada. Ontem deve ter sido tão desgastante para ela, como tinha sido para ele. Não querendo acordá-la, ele escorregou para fora da cama e se dirigiu para o banheiro.

Até o momento que tinha terminado seu banho, Vanessa estava deitada na cama, acordada, mas parecia que ela não queria se levantar ainda.

Oi — ele disse, quando se esticou ao lado dela e enfiou a cabeça na dobra do seu braço.

Oi — ela disse. Ele estava se acostumando com suas respostas de uma só palavra no período da manhã.

Hoje é o dia, hein? — Ele não tinha que esclarecer que queria dizer seguir Ashley. Vanessa assentiu. — Temos de detalhar mais com o plano. Não podemos simplesmente correr atrás dela. Ela também conhece meu carro e vai nos ver a uma milha de distância.

O café primeiro, o plano depois. — Vanessa resmungou e Zac riu.

Ok, eu vou descer e fazer um pouco de café e trago aqui, enquanto isso você vai tomar seu banho e acordar. Eu quero de volta a boa e articulada Vanessa.

Depois de considerar, pelo menos, meia dúzia de cenários possíveis, eles encontraram falhas em cada um. No final, Vanessa veio com algo muito simples, mas, Zac pensou, possivelmente o mais eficaz. Eles fingiriam ter planos, beijar muito para que Ashley se recusasse a ir com eles quando a chamassem para sair, entrar no carro e ir embora. Eles estacionariam por perto, de modo que não fosse óbvio onde estavam, mas onde ainda podiam ver a casa. Se Ashley pensasse que eles tinham ido embora, as chances é que ela seria muito menos cuidadosa, e então eles seriam capazes de segui-la facilmente, mantendo uma distância segura.

A primeira parte do plano funcionou como mágica, Ashley se recusou a se juntar a eles depois que ela testemunhou vários beijos particularmente picantes. Eles estacionaram a menos de cem metros da rua, em uma fila de carros que os deixavam invisíveis, se você não estivesse particularmente à procura de um BMW prata. Era hora do almoço e, como Vanessa havia previsto, Ashley deixou a casa um pouco depois das 12:30hs, esperando ela  virar a esquina para a rua principal, Zac ligou o motor e seguiu com o carro atrás dela. Quando chegaram à rua principal, Ashley estava entrando em um táxi

Perfeito. Eles se cumprimentaram, e Zac seguiu o taxi a uma distância segura.

Logo, o táxi parou no estacionamento do Centro Médico “Giuseppe Mazzini”.

— Que diabos? — Zac murmurou, enquanto acelerava, estacionando o carro e desligando o motor, antes que Ashley pudesse observá-los quando saísse do táxi. Ela correu em direção à entrada principal, sem sequer olhar para trás.

Que lugar é esse? — Perguntou Vanessa, saindo do carro.

É a melhor clínica privada na cidade. Que diabos ela está fazendo aqui, Nessa? — Zac estava franzindo a testa e ficando seriamente irritado.

Eu não tenho ideia. Como é que vamos descobrir? Aposto que não é muito fácil conseguir informações na recepção.

Vamos esperar. Ela vai sair mais cedo ou mais tarde. Então a confrontaremos aqui, até que ela derrame tudo.

Zac inclinou-se sobre o capô do carro, cruzando os tornozelos. Vanessa foi até ele e encostou nele, suas costas contra seu peito. Ele cruzou os braços sobre os dois, e eles esperaram.

Em cerca de 15 minutos Ashley reapareceu pela porta principal. Ela não estava sozinha. Ela estava empurrando alguém em uma cadeira de rodas. Um homem. Zac empurrou Stella suavemente para que ele pudesse dar uma olhada no homem.

Meu Deus — ele exclamou, entendimento inundando suas veias e drenando a cor do seu rosto.

O quê? O que está acontecendo, Zac? Quem é esse? — Seu pânico passou para Vanessa, porque o olhar em seus rosto era frenético.

Zac passou as mãos pelos cabelos, andando para trás e para frente, incapaz de responder à pergunta. Vanessa ia surtar, ela perderia o controle no momento que ele contasse a ela. Mas como poderia ele não falar? Ashley, alheia a tudo ao seu redor, empurrou a cadeira de rodas ao longo de um caminho pavimentado para o que parecia um lago à distância.

Zac, pare de andar e me diga o que diabos é isso e por que você está tão pálido? — Ela exigiu.

Zac parou e olhou diretamente nos seus olhos antes de falar.

É Christopher French. O homem que bateu em nosso carro.

*
Vanessa sentiu o sangue congelar e calafrios atravessaram todo o seu corpo.

O quê? — Ela sussurrou.

Você me ouviu. Esse é o bastardo que cruzou um sinal vermelho e bateu no nosso carro. Ele ficou paralisado após o acidente. Estava nos jornais.

Por que estava nos jornais?

Ele é o filho de Gennaro French, um bilionário que é dono de metade de Gênova.

O cérebro de Vanessa se recusou a processar a informação. Ela sentiu-se mal.

Por que ela está aqui, Zac? Por que ela está levando esse maldito pedaço de merda para uma caminhada? — Vanessa sabia que ela estava ficando histérica, mas ela não podia evitar. Tudo o que ela conhecia sobre sua prima estava desabando, e ela não sabia mais quem era essa pessoa.

Eu não sei, querida. Por favor, acalme-se. Eu tenho certeza que há algum tipo de explicação...

A menos que ela vá empurrá-lo de cabeça dentro do lago, eu não quero ouvir outra explicação! Como ela pôde fazer isso, Zac? Depois do que aconteceu? Como ela poderia ter qualquer compaixão por alguém que... — A voz de Vanessa sumiu, quando um soluço escapou de sua garganta, e ela inclinou-se sobre Zac em busca de apoio.

Ácido inundou seu estômago, e ela não conseguia segurar seu café da manhã mais. Afastando dele tanto quanto podia, ela se curvou e vomitou, todo o seu corpo em convulsão. Ela sentiu as mãos de Zac afastando seu cabelo e ele acariciou suas costas, até que ela terminasse. Em seguida, ele a levou de volta ao carro e deu-lhe um lenço e uma garrafa de água. Eles partiram sem olhar para trás.

Por favor, envie uma mensagem, lhe dizendo que aconteceu algo importante, e ela precisa voltar aqui. — Vanessa disse, assim que entraram na casa. Ela não disse uma palavra no carro, tentando se acalmar, forçar alguns pensamentos racionais em seu cérebro e pensar em como lidar com a situação.

Zac pegou seu telefone e fez o que ela pediu. Imediatamente ele recebeu uma resposta e leu em voz alta.

Ashley: Por quê? Estão todos bem? O que aconteceu?

O que devo dizer a ela? — Zac perguntou, enquanto lia o texto para Vanessa.

Eu não sei... O que quiser. Apenas certifique dela vir aqui. — Vanessa foi para a cozinha e serviu-se de um enorme copo de limonada.

Ela está vindo — disse Zac, quando se juntou a ela na cozinha. Ele provavelmente sentiu que Vanessa não precisava de ninguém dizendo a ela para relaxar ou tentar acalmá-la de qualquer maneira, porque ele manteve distância e sentou-se à mesa. Ele não perguntou qual era seu plano: o que ela ia dizer ou fazer. Ele apenas ficou lá, uma parede de força, sem ostentação, que Vanessa sempre poderia se apoiar, se ela precisasse.

Sentaram-se em silêncio até que eles ouviram a porta da frente abrir. Vanessa imediatamente ficou tensa, preparando-se para o confronto. Pensando que ela tinha sua raiva sob controle, ela entrou na sala de estar, encontrando Ashley na metade do caminho. Porém, no momento em que viu sua prima, sua raiva retornou á tona, sufocando-a.

O que está acontecendo? Está todo mundo bem? — Perguntou Ashley.

Não, Ash, eu não estou bem. — Vanessa disse com os dentes cerrados. Ela sentiu Zac entrar na sala de estar, mas se manter em pé a uma distância segura, dando-lhes espaço.

Então... Por que eu tive que correr de volta aqui?

Eu sei que você prefere ficar com o seu namorado, o único que ficou bêbado, entrou em um carro, ignorado um sinal vermelho e bateu em você. Essas palavras te lembram dele? — Cada palavra de Vanessa cortante e gotejando com a traição e decepção. Ashley empalideceu em um piscar de olhos. Ela perdeu o equilíbrio e teve que se segurar na borda das costas do sofá para apoio. Ninguém se moveu em direção a ela. Vanessa olhou para Zac, que estava sentado no braço do outro sofá, de braços cruzados na frente do peito, franzindo a testa.

Como é que vocês descobriram? — A voz de Ashley era pouco mais que um sussurro.

— Será que isso importa?  —Vanessa gritou.  Ashley não respondeu.  Ela agarrou a almofada do sofá e os nós dos dedos estavam brancos devido ao esforço, mas ela não se atreveu a encontrar os olhos de Vanessa. — Você não vai dizer nada?

Eu posso explicar... — Ashley começou, com a voz trêmula.

Oh, pode é? Estou muito interessada em saber por que diabos você está bancando a enfermeira desse babaca.

Não é assim...

Como você pôde, Ashley? Como você pode ser tão hipócrita e ter compaixão por ele, quando sua vida foi dilacerada por alguém como ele? — Os olhos de Vanessa estavam atirando punhais em sua prima, mas ela não podia saber, porque ela ainda não conseguia olhar para ela.

Ele não é como aquele homem, é diferente...

Como? Porque você não morreu? Bem, há sempre a próxima vez!

Não haverá uma próxima vez com ele - ele não vai falar, não vai andar, ele nunca vai dirigir um carro novamente. — Pela primeira vez, Ashley olhou para os olhos de Vanessa, levantando a voz e parecendo determinada a defender seu ponto.

Bom! Estou feliz por algo de positivo sair dessa situação! — Vanessa gritou e cerrou os punhos ao seu lado. Ela estava vagamente consciente de que Zac tinha deixado seu lugar no sofá e se aproximou dela.

Como você pode dizer isso! Ele está quase morto, e não há sequer um arranhão em nós!

 Os olhos de Ashley se encheram de lágrimas, e a boca de Vanessa se abriu em choque.

Você vai chorar por ele? Sério? O que há de errado com você? — Vanessa gritou e deu alguns passos no sentido de Ashley, com a intenção de sacudi-la para fora de sua ilusão, quando Zac agarrou-a pelos braços e puxou-a de volta. Ela não resistiu.

Estou apaixonada por ele! Isso é o que há de errado comigo! — Ashley gritou de volta, e as lágrimas escorreram pelo rosto. Vanessa voltou nos braços de Zac, enquanto ela balançava a cabeça em negação. Ele envolveu-a em seus braços quando ela começou a soluçar.

Vanessa, por favor, eu vou te dizer tudo, acalme-se e me ouça. — Ashley disse, e tentou aproximar-se da sua prima.

Não se atreva a chegar perto de mim! Você está louca: clinicamente insana! Como você pode esquecer, Ash? Como você pode esquecer o que ele fez com a gente? Como você pode esquecer os três túmulos que ele deixou para trás? — Vanessa estava tremendo e chorando, e se não fosse por Zac que a segurava, ela teria sido caido no chão.

Chris não é ele! — Ashley cuspiu com raiva.

Stella balançou a cabeça, incapaz de sequer começar a entender para onde sua prima estava indo. Ela virou-se para Zac e disse:

Por favor, me tire daqui. Eu não suporto estar perto dela um segundo a mais.

Sem hesitar, ele agarrou a mão dela e levou-a pela porta. Eles entraram no carro, e as marcas de derrapagem permaneceram na entrada quando eles partiram.

4 comentários:

  1. Eita! Agora o bicho pegou...
    Acho que a Vanessa foi muito precipitada dessa vez... Ela devia ter ouvido aa explicações da Ash... Acredito na Ash e creio que o Chris nao seja esse monstro que a Vanessa está descrevendo, por mais que ele seja culpado pelo acidente.
    Bom espero que tudo se resolva entre elas!
    Amei o capítulo...
    Posta mais pleaseeeeeeee
    Beijos

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  2. Aah meu Deus... É muita informação para que eu possa processar... A Vane e o Zac estão juntos, a Ashley aceitou numa boa, e agora do nada eles descobrem que o segredo dela é que a mesma visita o cara que bateu no carro da Ashley e do Zac. Cara eu acho que vou surtar.
    Puts, como pode gente, confesso que estou ansiosa demais para saber os pontos da Ashley, em saber sobre toda esta situação. Tadinha da Vane, gente foi um baque para ela tudo isto. Amore posta mais logoo, por favorr. Estou mais que ansiosa e eu acho que meu coração nao vai aguentar tudo isto. Rs
    Bjosss

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  3. Meu Deus que tenso.
    Acho que a Vanessa exagerou muito,ela está ligando o acidente do Zac e Ashley com o dela, não foi esse homem que matou a família dela.
    Espero que tudo se resolva logo.
    Amei o capítulo OK?

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  4. Meu Deus que tenso.
    Acho que a Vanessa exagerou muito,ela está ligando o acidente do Zac e Ashley com o dela, não foi esse homem que matou a família dela.
    Espero que tudo se resolva logo.
    Amei o capítulo 😍😍😍
    Posta logo por favor

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