sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Capítulo Trinta e Quatro

Uma vez lá dentro, Vanessa sentou-se no sofá e ligou o abajur. Ela não podia se mover, não podia chorar, não conseguia respirar. As paredes começaram a se aproximar dela e ela se sentia presa, sufocando, com náuseas. Sentindo seu estômago queimar com ácido, ela correu para o banheiro e vomitou. E então vieram as lágrimas novamente. Ela gritou no banheiro vazio, até capotar no chão frio. Quando ela acordou, Vanessa não tinha ideia de que horas eram. Tudo que ela sabia era que não tinha forças para chorar. Espirrando água fria no rosto, ela tentou corrigir sua aparência horrível, mas era inútil - seus olhos estavam vermelhos e inchados, sua  pele estava pálida, apesar de seu bronzeado, seus lábios estavam secos e ela tinha círculos escuros sob os olhos.
Saindo do banheiro, Vanessa ouviu a porta da frente abrir e fechar. Ashley estava em casa. De repente, a raiva oprimiu Vanessa. Ashley sabia sobre isso o tempo todo! Ela era a única que sabia todos os seus segredos.
— Por que você não me contou? — Não havia necessidade de esclarecer. Ashley podia entender imediatamente o que ela quis dizer com sua expressão atordoada, mas sem esperança no rosto de Vanessa. Ela não respondeu de imediato, obviamente, tentando formular a resposta de uma forma que não irritasse Stella ainda mais.
Tarde demais para isso.
— Como você pôde esconder isso de mim, Ash? — Lágrimas de frustração desceram por suas bochechas, e Vanessa as afastou com as costas da mão. — Como é que você não me contou que o seu pai tinha câncer? Que Zac cuidou dele sozinho!
— Não era para eu dizer, Nessa. Esta é a vida pessoal de Zac, ele era o único que deveria ter dito.
— Você deveria ter me dito, quando eu te perguntei se estava ok a gente namorar. Se você tivesse me dito então, eu teria terminado as coisas imediatamente. Eu não teria...
— Você não teria se apaixonado por ele? Eu acho que você já estava apaixonada por ele. — Ashley jogou as mãos para cima em exasperação. — Eu tentei avisá-la tantas vezes, mas eu acho que não é assim que funciona. Nós não escolhemos quem amamos, não é?
— Não. Se você tivesse me dito no primeiro dia que eu o conheci, eu o teria evitado como a peste. Nada teria acontecido entre nós.
— Você não pode me culpar por isso, Vanessa. — Vanessa disse calmamente, e aproximou-se de sua prima. — Eu mantive os seus segredos, também.
Vanessa quebrou nos braços de Ashley. Seus soluços rasgavam seu coração em pedaços, mas ela não poderia ter se importado menos. Seu coração já foi rasgado em pedaços.
— Você contou a ele sobre você? — Ashley perguntou, quando ela se acalmou o suficiente para falar.
— Não! E eu não vou. Nem você. — respondeu Vanessa, determinação misturando com a tristeza em seus olhos.
— Ele não vai deixar você se o câncer estiver de volta. Você sabe disso, né?
— Sim, eu sei, e é exatamente por isso que não vamos dizer a ele. A possibilidade é por volta de oitenta por cento - especialmente depois que ele voltou depois da primeira cirurgia e quimioterapia. Eu não vou submeter Zac a isso novamente. Ele sofreu bastante com seu pai, eu seria a pessoa mais cruel na Terra, se eu permitisse ele ficar lá para mim também. Eu prefiro que ele pense que tudo está acabado entre nós e siga em frente com sua vida.
— Ele não vai seguir em frente. Ele te ama, Vanessa. Dê-lhe a oportunidade de estar lá para você.
— Não.
Vanessa saiu dos braços de Ashley e afastou a última de suas lágrimas.
— Amanhã eu vou lhe dizer que está tudo acabado entre nós. Vai levar tempo, mas ele vai seguir em frente. Ele vai conhecer alguém e se apaixonar e ter a vida que ele merece. Ele não merece ficar preso com uma pessoa doente, especialmente quando ele não sabia que eu estava doente. Eu vivi uma mentira com ele esse tempo todo. É tudo culpa minha, se eu apenas lhe contasse no início que eu tinha câncer, talvez ele nunca tivesse...
— Não é algo que você pode considerar, certo? — Ashley interrompeu. — Não procure qualquer culpa, Vanessa. Não é culpa de ninguém. Serão dois corações quebrados. Não há vencedores aqui.
A chuva caía do céu. Não havia nuvens - apenas um céu cinza infinito. Ironicamente, lembrou Vanessa de casa. Ele refletia perfeitamente o seu humor.
Ela estava sentada em uma espreguiçadeira sob o toldo, olhando para a chuva e esperando que a água que caia afogasse seus pensamentos.
— Hey. — Zac disse, quando veio ao seu lado e se sentou na espreguiçadeira.
Ela mandou uma mensagem a ele para vir há meia hora atrás. Não havia nenhum ponto em retardar isso.
— Oi — ela disse sem se virar para encará-lo. — Eu estou indo embora amanhã. — Não havia nenhum ponto em andar em círculos também. Quanto mais cedo ela o afastasse, melhor.
— O quê?
— Minha mãe está indo para casa amanhã, e eu vou voltar com ela.
— Temos mais 10 dias, Nessa. Você não pode ir mais cedo. — Vanessa não disse nada. Ela nem sequer olhou para ele. Ela não podia. Se o fizesse, seu coração iria quebrar tudo de novo e já foi quebrado muitas vezes.
— Olhe para mim! — Ele exigiu. Suspirando, ela fez isso. — É essa a sua resposta? Você pensou em tudo o que eu disse na noite passada e é essa a sua resposta? Você não me quer?
Vanessa não respondeu, ela só olhava para ele com determinação em seus olhos. Se ela abrisse a boca para falar, ela não tinha certeza se poderia controlar.
— Merda. — Ele se levantou e caminhou ao redor. A raiva rolando fora dele era nauseante. Seus olhos estavam em chamas, com os punhos cerrados, todo o seu corpo estava vibrando de raiva.
Ele sentou-se na espreguiçadeira.
— Nessa, eu te amo. — Ela olhou para ele e tentou manter o rosto impassível e sem emoção, quando a única coisa que ela queria fazer era beijá-lo e dizer que o amava também. — Mesmo que você vá agora, a Inglaterra não é a Austrália. É apenas uma hora de voo. Eu não quero que este seja o fim, eu quero você. Eu quero fazer isso funcionar. Se você não quer ficar aqui, eu vou para Londres. Eu vou para a universidade lá. Eu...
Ele parou, porque Vanessa não estava nem olhando para ele mais. Ela olhava para a chuva que caia na piscina atrás de Zac, e mesmo que ela tentasse manter a emoção fora de sua face, uma única lágrima derramou pelo seu olho e desceu seu rosto. — Vanessa. — ele disse, seu tom firme. Ele queria que ela olhasse para ele, mas ela simplesmente não conseguia. — Vanessa, por favor. Olhe para mim. — Sua voz era mais suave agora. Ela não resistiu e fitou-o com um olhar vazio. — Eu te amo. Eu... Por favor, não vá embora. Não me deixe.
— Eu tenho que ir. — foi tudo que ela disse.
— Por quê?
— Porque eu não me sinto da mesma maneira. Eu pensei que sentia, mas eu não sinto. — Doeu fisicamente dizer essas palavras. Vanessa conseguiu até manter seu tom de voz convincente, porque essa era a maior mentira que já tinha dito.
— Bobagem! Eu sei que você me ama, Nessa. Não tente me afastar, porque você é covarde demais para admitir o que realmente sente.
— Pense o que quiser. Eu estou dizendo a você como eu realmente me sinto. E me sinto atraída por você, eu adoro o sexo e eu me divirto com você. Mas eu não te amo, Zac. Eu não quero construir uma vida com você.
— Pare de mentir porra! Eu sei que você me ama. Eu já vi isso em seus olhos. Há luxúria e paixão lá, mas há também o amor. E confiança.
Vanessa não disse nada. Como poderia? Ele estava certo. Era exatamente como se sentia, ela o desejava, mas ao mesmo tempo ela confiava nele com sua vida e amava com todo seu coração quebrado.
E era exatamente por isso que ela tinha que afasta-lo o mais longe possível dela.
— Me desculpe se eu enganei você, mas eu não te amo, Zac. Eu amo como você me faz sentir na cama, eu adoro falar com você e passar um tempo com você. É isso aí. Não posso me comprometer com você e ser uma parte de seu futuro, porque quando eu fecho meus olhos eu não vejo você no meu.
Ele recuou fisicamente com suas palavras. O desapontamento e mágoa em seus olhos quase a matou. Mas Vanessa tinha que permanecer forte. Ela não chorou e ela não desviou os olhos longe do dele, enquanto ele sofria. Ele não disse nada. Ele apenas ficou lá, olhando para ela, incapaz de formar palavras ou mostrar qualquer tipo de reação.
E, em seguida, Ashley entrou - e tudo desabou.
Ele pulou da espreguiçadeira e parou a poucos centímetros do rosto de Ashley, elevando-se sobre seu pequeno corpo. Para seu crédito, ela não recuou. Ashley cruzou os braços na frente do peito e teimosamente ergueu o queixo para olhá-lo nos olhos.
— O que você disse a ela? — Ele gritou.
— Eu não lhe disse nada. Ela fez sua própria escolha.
— É? Então, ontem à noite eu digo a ela que a amo e quero passar o resto da minha vida com ela, ela chega em casa e pensa sobre as coisas e a única pessoa aqui é você. Um pouco coincidência demais, você não acha?
Ashley, deu de ombros, seus olhos nunca deixando Zac. Seu corpo tremia enquanto tentava se controlar. Vanessa sabia que ele nunca machucaria fisicamente Ashley mas ainda assim, o seu enorme corpo pairando sobre sua prima a deixou desconfortável.
— Zac, se afaste de Ashley. Não é culpa dela. — Ela levantou e se aproximou dele.
— Eu discordo — ele rosnou, ainda se concentrando em Ashley.
— Por que você não pode simplesmente aceitar que eu não te amo? Seu ego é tão grande que você não pode sequer imaginar a ideia de que uma mulher não está completamente apaixonada por você?
— Oh, eu posso aceitar que nem toda mulher é apaixonada por mim — ele disse, tirando sua raiva contra Ashley e voltando para Vanessa. — Eu não aceito que você não é. Porque você é. E vocês duas estão mentindo para mim. Eu só não sei por quê. Mas deixe-me garantir que vou descobrir, e quando eu descobrir, eu vou ter a chave do que está acontecendo aqui.
Ele saiu da casa, batendo a porta com tanta força que as janelas tremeram.
Vanessa não poderia prender por mais tempo. Ela caiu no chão e chorou nos braços de Ashley até que ela não tinha lágrimas ou força.
Gina e Niki chegaram em casa tarde da noite, sem perceber o drama que tinha acontecido há apenas algumas horas atrás. Vanessa saiu de seu quarto para contar a sua mãe que ela comprou uma passagem para o mesmo voo e estaria partindo com ela. A julgar pelo seu rosto, Gina queria lhe fazer um milhão de perguntas, mas Vanessa murmurou — Eu não quero falar sobre isso — e bateu a porta do quarto. Para se manter ocupada, Vanessa arrumou a mala, e quando terminou, já estava no meio da noite.
Seu telefone tocou com uma mensagem e ela o pegou com os dedos trêmulos, certo de que era de Zac.
Zac: Eu te amo. Por favor, não vá embora.
Ela não respondeu. Em cinco minutos ele tocou novamente.
Zac: Seja o que for que está segurando você, nós podemos resolver.
Não, ele não poderia resolver isso. Vanessa desligou o telefone e subiu na cama, exausta demais para lutar com o sono por mais tempo.
*
Zac não conseguia dormir. Tudo o que podia pensar era em Vanessa partindo em poucas horas. O que ele poderia fazer? Se confessar seu amor por ela, compartilhar seus segredos mais profundos, servir a sua alma em uma bandeja de prata, não a impediu de partir, o que poderia?
Em uma última tentativa desesperada de ela mudar de ideia, ele enviou duas mensagens. Ela não respondeu. Ele enviou outra, mas essa voltou sem ser entregue. Ela desligou o telefone. Ela o expulsou de sua vida. Para sempre.
Zac jogou o telefone na direção da parede e quebrou em pedaços. Ele enrolou em uma bola em sua cama e chorou como nunca tinha chorado antes - nem mesmo quando seu pai morreu.
*
— Eu sinto muito, Ash. Eu atrapalhei a sua vida nesses dois curtos meses que estive aqui. — Vanessa disse, enquanto se despedia com um abraço na sua prima no aeroporto. — Zac provavelmente vai culpá-la pelo que aconteceu, mesmo que isso não tenha nada a ver com você.
— Ele vai voltar. Ele precisava de alguém para gritar antes, eu tenho certeza que ele realmente não me culpa. — Ashley a abraçou de volta e quando ela se afastou, seus olhos estavam cheios de lágrimas. — Eu vou sentir sua falta. Prometa-me ligar todo dia.
— Eu vou. Vou sentir saudades, também.
Vanessa odiava despedidas. Uma vez sentada no avião, ela respirou fundo, mas isso não fez nada para aliviar a pressão em seu peito. Ela se inclinou para trás em sua cadeira, com as mãos segurando os braços. Uma mão quente deslizou sobre seus dedos.
— Como você está, querida? — Perguntou a sua mãe, a preocupação estampada em suas belas feições.
— Eu já estive melhor.
— Quando você estiver pronta para falar sobre isso, eu estou aqui. Eu não vou julgar.

Vanessa assentiu, apreciando verdadeiramente que, apesar de sua mãe estar preocupada, não iria pressioná-la a falar, porque agora toda a força da Vanessa estava focada em fazer seu corpo funcionar fisicamente. Colocando seus fones de ouvido, ela ligou o iPod, selecionado Framing Hanley álbum “Promise to Burn”, virou o volume no máximo e fechou os olhos.
~♥~♥~♥~
DESABAFO:LEIAM,POR FAVOR
Olá meninas,como estão? Espero que estejam todas muito bem!
Bom,infelizmente, hoje venho dizer que estou triste com a ausência de vocês aqui no blog.
Sei que a vida de todas é corrida, a minha também é, mas faço o impossível para arrumar um tempinho para não ficar em falta com vocês aqui e para comentar em todas as fics que leio.
Já não é a primeira vez que preciso falar disso e isso vai cansando,sabe. Não estou mendigando comentários (não me interpretem mal,por favor) , mas preciso de um feedback para saber o que estão achando, porque talvez não esteja valendo a pena publicar essa adaptação.
Há alguns anos atrás, a falta de participação das leitoras me fez excluir um de meus blogs, espero não precisar fazer isso novamente, aliás, não quero postar para o nada. Afinal, o blog é um meio de comunicação entre nós,um lugar  onde aprendo,recebo críticas e elogios e, assim, melhoro o que é necessário.
Então minhas amoras, comentem, deixem opiniões, mostrem que estão lendo. Não quero acabar com tudo isso. É minha última história (no caso,adaptação) e quero poder recordar os melhores momentos daqui alguns anos.
Enfim, acho que é isso. Me perdoem se alguém me interpretar mal, mas foi apenas um desabafo. Não estou brigando com ninguém, de forma alguma. Espero o feedback de vocês, até mais, minhas flores!
Amo vocês ♥
-Rafa

3 comentários:

  1. Meu deus esses dois últimos capítulos foram maravilhosos mas tristes também... Nao acredito que a Vanessa vai mesmo embora sem falar a verdade pro Zac...
    Estou super ansiosa com o próximo capítulo...
    Por favorzinho nao desiste nao...estive em falta nos comentários aqui do ultimo capítulo pq como eu disse lá tava enrola com um projeto... Eu amoooo todoas as suas fics, e adaptações tb. Eu estou completamente apaixonada por esta...
    Espero que nao desista...
    Posta mais....
    Beijooooos

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  2. Oh meu Deus, ela terminou com ele.
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    Não pare com a fick, hj em dia as pessoas comentam menos, as vezes só lêem, mas não deixe a história pela metade pelos q ainda lêem, rsrs. A história é linda e emocionante.

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  3. Eu amo a sua história, eu leio sempre não comento por esquecimento.. mas amo e leio sempre. Estou ansiosa para saber o que vai acontecer com estes dois.. a Vanessa não podia fazer isto! Beijinhos

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