sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Capítulo Trinta e Seis

Quando Zac viu o aviso de “ falha na entrega “ em sua caixa de entrada, ele sentiu como se um balde de gelo tivesse sido derramado sobre a sua cabeça. Seus dedos ficaram congelados no teclado e ele foi incapaz de se mover ou formar um pensamento coerente por alguns longos momentos. Quando o sangue começou a circular novamente, ele tentou se acalmar e não sentir que sua única ligação com Vanessa tinha acabado de ser cortada.
Talvez tenha sido um erro técnico. Emails se perdem e são devolvido ao remetente o tempo todo, certo? Ele digitou rapidamente um novo e-mail e clicou em “Enviar”. Os próximos dois minutos foram os mais longos de sua vida.
Até que email voltou sem ser entregue, e Zac sentiu seu coração quebrar.
Ele fechou seu laptop com força, mantendo todo o autocontrole que possuía, para que não o jogasse contra a parede. Andando em torno de seu quarto, Zac sentia-se impotente, irritado, desesperado, perdido. O que ele deveria fazer agora?
Havia apenas uma pessoa que poderia lhe dar o que ele queria e ele iria até lá para arrancar isso dela, fosse o que fosse preciso.
Zac estacionou seu carro na entrada da casa de Ashley e saiu totalmente preparado para uma briga enorme. Ele não iria deixar sua casa sem o número de telefone de Vanessa e endereço, mesmo que ele tivesse que prendê-la contra a parede de sua geladeira. Tocando a campainha, ele respirou fundo e rezou para que ela estivesse realmente em casa. A porta se abriu e Ashley ficou na frente dele, a surpresa estampada em seu rosto. Assim que Zac estava prestes a passar por ela e se lançar em um discurso furioso, seus olhos se encheram de lágrimas e a surpresa em seu rosto mudou para tristeza.
— Ashley, o que está acontecendo? — Zac perguntou, quando ela acenou para entrar e fechou a porta atrás de si. Ela foi até o sofá sem responder a sua pergunta e ele a seguiu.
— Eu estava pensando em você e estava tentando encontrar razões para não ir encontrá-lo. — disse Ashley, apressadamente enxugando as lágrimas que caiam de seus olhos.
— Apenas me diga o que está acontecendo. — A voz de Zac estava presa e dura. Ele sabia que isso tinha algo a ver com a Vanessa e o simples pensamento de que algo aconteceu com ela fez seu interior queimar.
— Vanessa ligou na noite passada. — disse Ashley, e olhou para ele com cautela. O corpo de Zac ficou rígido quando ouviu seu nome. Ele estava tão ansioso que sentia como se pudesse explodir a qualquer segundo. — Ela... — Asheley começou, um soluço escapou de seus lábios.
— Só me diga logo essa merda, Ashley! — Zac se ouviu gritar, mas ele realmente não registrou em seu cérebro. Todos os seus esforços conscientes estavam focados a sentar- se e apenas respirar.
— Ela tem câncer, Zac. É por isso que ela foi embora.
Zac sentiu o sangue drenar em todo o seu corpo. O tempo parou. Seus ouvidos começaram a buzinar e ele se sentiu tonto.
— Zac! — Ashley gritou, pulando para cima de seu lugar no sofá e debruçando sobre ele. Ele estava ciente de que ela estava lá, mas ele foi incapaz de fazer qualquer coisa. Sua cabeça estava girando, sua garganta estava seca, todo o seu corpo tremia. Ashley correu em algum lugar, voltando com um copo de água. Obrigou-o a levar ao lábios e beber, engolindo dolorosamente. Ela pegou o copo de suas mãos trêmulas e colocou-o sobre a mesa.
Zac sentiu o sangue começar a fluir novamente e ele estava ciente de ouvir a voz  de Ashley sobre o zumbido nos ouvidos.
— Zac, você está me assustando. Você está tão branco quanto um homem morto. Devo chamar uma ambulância? Você vai desmaiar em cima de mim?
Ele balançou “não” com a cabeça, e levou seus dedos até sua testa, tentando recuperar algum controle sobre seu corpo.
— Conte-me tudo — ele sussurrou.
Ashley contou-lhe toda a história - sobre o câncer de Vanessa, sobre as cirurgias, por que ela o afastou, a reação dela quando descobriu como o pai de Zac tinha morrido, sobre sua última consulta, quando foi confirmado que seu câncer estava de volta.
— Pode ser que o tratamento não funcione dessa vez, mas a mãe conseguiu levá-la uma consulta neste hospital que faz algum tipo de tratamento experimental.
No momento em que Ashley tinha terminado de falar, Zac estava se sentindo mais como ele novamente - apenas mais irritado.
— O que fez você me dizer? — ele perguntou, com os dentes cerrados.
— O tratamento produz resultados surpreendentes se for bem sucedido. Mas há uma chance de que não seja. É um tratamento muito intensivo e é por isso que ainda não foi aprovado para uso geral. — Ashley ergueu os olhos para o rosto dele e esperou até que ele olhou para ela também. — Há uma chance de que ela possa morrer Zac. Eu nunca me perdoaria se ela morresse e você não soubesse.
Zac levantou-se do sofá, incapaz de se sentar ao lado de Ashley por mais tempo. Ele estava além da raiva. Ele estava furioso.
— Eu não posso acreditar nisso. Como se atreve? Como se atreve a esconder isso de mim? Você acha que eu sou um covarde? Que eu não vou ficar com a mulher que eu amo quando ela está doente?
— Exatamente o oposto. Vanessa tinha certeza que você não iria deixá-la quando contasse. Ela não queria deixá-lo nessa situação novamente. Uma vez é mais do que suficiente para uma vida. Não foi a minha decisão, Zac, foi dela, eu só concordei em não lhe contar. Até agora, pelo menos.
— É uma pena. Não era a sua escolha - era minha. Dê-me seu endereço e número agora. — Sua voz era mortal, mesmo que ele tentasse controlar sua raiva.
— Antes de fazer isso, eu quero que você pense por mais um minuto...
— Eu não preciso pensar em nada. Eu a amo. Eu estarei lá por ela, não importa o que aconteça. Agora me dê o que eu preciso. Eu tenho que pegar um avião.
Ashley assentiu e escreveu as informações de Vanessa em um pedaço de papel. Ela parou por um instante antes de pegar o seu telefone e digitar um número nele.
— Ligue para tia Gina, não apareça simplesmente lá. Ela vai estar do seu lado e, acredite,  você vai precisar de um aliado quando Vanessa te ver.
Eram 18:00 hs a hora que Zac havia desembarcado em Londres e entrou em um táxi. No caminho para a casa de Vanessa, ele tentou se acalmar e racionalizar tudo o que tinha acontecido desde esta manhã.
Ele havia ligado para Gina do aeroporto, como Ashley tinha sugerido. Ela estava feliz e talvez até mesmo aliviada ao ouvi-lo. Ela precisou de algum convencimento, mas concordou em deixá-lo ficar com elas e acompanhá-las até Oxford para o procedimento. Ele disse que não tinha intenção de sair do lado de Vanessa nunca mais. Se Gina não estivesse confortável dele permanecer em sua casa, ele iria alugar um apartamento nas proximidades, mas ele não ia voltar para Itália sem Vanessa. Gina suspirou e disse:
— Ela provavelmente vai me odiar por me aliar a você, Zac, mas eu sei que essa é a coisa certa a fazer. Eu sei que você a ama e eu sei que ela te ama, mas se prepare para ouvi-la negar. Vanessa te ama mais do que ama a si mesma, e eu a amo mais do que tudo, e é por isso que eu vou fazer tudo o que puder para ajudá-lo mesmo que isso signifique que seu coração seja quebrado no final. Sinto muito, Zac.
— Não se desculpe, Gina. Meu coração está quebrado agora. Ele não pode ficar pior do que isso.
Depois que eles desligaram, Zac pensou nas palavras de Gina. Ele entendeu completamente seu ponto de vista - para ela, Vanessa era mais importante do que ele. Ele estava bem com isso. Inferno, para ele, Vanessa era mais importante do que ele. Ter a aprovação de sua mãe significava muito para Zac, porque ele sabia que ela  nunca deixaria sua filha estar com alguém que não fosse bom o suficiente para ela.
Enquanto o táxi preto dirigia pelas ruas de Londres, a mente de Zac derivou para a última vez que tinha visto Vanessa. Como ela pôde fazer isso com ele? Para si mesma? Não era ruim o suficiente ela ter câncer: ela tinha que passar por isso sozinha? Como ela se atreveu a fazer sua escolha longe dele?
Zac ainda estava zangado com ela quando o táxi parou na casa de Vanessa, e ele tinha toda a intenção de deixá-la saber disso.
*
A campainha tocou e assustou Vanessa que estava cochilando no sofá, mesmo que a TV estivesse explodindo Kerrang! no volume máximo. Quem poderia ser? Era quase 20:00 e sua mãe não tinha mencionado que estava esperando qualquer convidado.
— Mãe! Campainha — ela gritou, mas Gina não saiu de seu quarto. Pelo menos, Vanessa presumiu que ela estava em seu quarto, ela não tinha visto sua mãe desde algum momento na parte da tarde, quando ela a tinha forçado a comer o almoço. Revirando os olhos e relutantemente deixando o sofá confortável, Vanessa arrastou-se até a porta. Se fosse qualquer tipo de vendedor ou pregador, ela usaria um pouco de sua energia negativa embutida e o estrangularia.
Abrindo a porta, Vanessa congelou no local, incapaz de se mover, falar ou respirar - porque Zac estava olhando para ela, uma mochila na mão. A expressão em seu rosto era ensurdecedora, quando ele passou por ela para entrar, sem esperar por um convite.
Encontrando sua voz quando fechou a porta, ela se virou para ele e disse:
— Eu vou matar Ashley. — Ela pisou com raiva até a mesa do café e pegou seu telefone, pressionando os botões freneticamente. Com um movimento rápido, Zac pegou o telefone da mão dela e, apontando para o sofá, rosnou,
— Sente-se.
Vanessa cruzou os braços na frente do peito e o olhou ameaçadoramente.
— Você não precisa me dizer o que fazer em minha própria casa. Que diabos você está fazendo aqui? Pensei que tinha deixado bem claro que eu não...
— Sim, sim: você não me ama. Pare de falar e sente-se. — Ele fixou-a com seu olhar firme e Vanessa se sentiu compelida a obedecer. Não faria mal ouvir o que ele tinha a dizer, certo? Ele tinha vindo de tão longe, então o mínimo que podia fazer era ouvi-lo, antes que ela o expulsasse.
— Ashley me contou tudo — disse ele, os olhos com raiva e mágoa, mas havia uma sombra de algo mais suave por trás de toda a raiva. Vaessa empalideceu - ela não esperava que sua prima lhe contasse tudo. Ela teria entendido se Ashley tivesse cedido e lhe dado seu endereço, ou se Zac houvesse roubado de alguma forma, mas isso? Por que ela faria uma coisa dessas? Ashley não se preocupa com ele? — Como você pôde, Vanessa?
Espere, o quê? Ele estava zangado com ela?
— Como eu pude o que, Zac? Expulsá-lo da minha vida, para que você não tenha que me testemunhar definhando e morrendo de câncer? Como eu sou cruel!
— É cruel. É cruel para você e para mim. Como você acha que eu me senti quando Ashley me contou sobre seu câncer e o que você está atravessando nessas últimas duas semanas? Como você acha que eu me sinto, sabendo que eu não fui capaz de estar com você?
— Você vai me esquecer, Zac. Você vai encontrar outra pessoa e ter o “felizes para sempre” que você merece. Eu não vou deixar você sacrificar tudo que você sonha por mim. — A voz de Vanessa tinha ficado tranquila, mas a expressão no rosto dela disse que  ela ainda estava determinada a manter Zac longe. Não havia nenhuma maneira dela deixá-lo ficar junto.
— Essa é a minha escolha Vanessa, não sua. Ninguém afasta minhas escolhas para longe de mim, nem mesmo você. Eu escolhi você. Eu vou ficar aqui com você, apoiá-la em tudo e ter o meu “felizes para sempre” com você.
— Não, você não pode ficar aqui. Essa é a minha escolha. Quero você fora da minha vida. — Vanessa engasgou com as últimas palavras e sentiu as lágrimas arderem em seus olhos. Zac não se moveu em direção a ela ou fez qualquer tentativa de sair. Ele olhou para ela como se isso fosse tudo culpa dela. — Saia, Zac. Eu não quero você aqui.
— Mas eu quero. — A voz de Gina veio das escadas enquanto ela caminhava. Ela foi para perto de Zac e lhe deu um abraço, pegando a mochila da mão dele. Vanessa não podia acreditar em seus olhos - sua mãe estava do lado de Zac? Ela estava no meio de tudo isso?
— Que merda é essa, mãe? Por que você está fazendo isso?
— Porque eu te amo. — Ela virou-se e levou a mochila de Zac para cima.
— Eu vou ficar, Vanessa. Eu vou com você para o hospital e eu estarei segurando sua mão quando acordar. Eu não vou a lugar nenhum. Lide com isso. — Ele virou as costas e seguiu Gina lá pra cima.
Vanessa olhou de boca aberta para ele subindo, incapaz de sequer começar a entender como isso poderia estar acontecendo. Quando ouviu a porta do quarto de hóspedes fechar, ela subiu as escadas batendo os pés e entrou e sem bater.
— Eu não sou a porra do seu caso de caridade, Zac. Encontre alguém para alimentar o seu complexo herói. Eu não preciso de você aqui. — ela gritou.
— Vanessa! — Gina levantou a voz, indignada, o que conseguiu tirar Vanessa de sua fúria cega, porque sua mãe gritava muito raramente. Zc não disse nada, ele apenas olhou para ela com firmeza, nem um pouco ofendido por seu comentário.
Vanessa bateu com a porta e bateu os pés até seu próprio quarto, batendo a porta  com força também. Ela pensou em ligar para Ashley e gritar com ela, mas qual era o ponto? Zac estava aqui, isso era o mais importante. Ele estava caminhando para arruinar sua vida, porque queria estar com ela. O que ela poderia fazer para afastá-lo? Todo mundo estava do lado dele, por alguma razão inexplicável. Não podiam ver que eles estavam condenando-o a uma vida miserável?
Um desamparo repentino a oprimiu, e um soluço escapou de seus lábios.
Vanessa desejava ser tão forte como fingia ser, mas no fundo tudo o que  ela realmente queria fazer era se aconchegar nos braços de Zac e deixá-lo corrigir tudo.  Seria muito difícil resistir a esse impulso, agora que ele estava aqui e mais do que disposto a deixá-la fazer isso.
Desde que ela tinha voltado da Itália, Vanessa tinha dormido muito levemente, acordando ao menor dos ruídos ou por nenhuma razão. Sabendo que Zac estava a duas paredes longe dela não lhe permitia dormir a noite toda. Ela estava enrolada em uma bola, olhando para a parede, incapaz de sucumbir ao sono que ela precisava.
Ela ouviu a porta abrir e fechar lentamente em silêncio. Em seguida, ela ouviu passos e sentiu Zac deitar na cama atrás dela, envolvendo o seu corpo de forma natural ao seu redor. Vanessa congelou. Ela nunca esperava que ele viesse aqui depois do que ela havia dito a ele algumas horas atrás.
E agora?
Instintivamente, tudo que Vanessa queria fazer era relaxar em seus braços e deixar ir. Parar de lutar com ele. Permitir que ele estivesse lá por e com ela, mas a sua consciência se recusou a ceder tão facilmente. Ele recusou-se a ficar bem com o fato de que ele arruinaria a sua própria vida por causa dela.
Enquanto Vanessa era dominada por suas emoções contraditórias, ela sentiu o corpo de Zac começa a tremer atrás dela. Ele apertou seus braços apertados ao redor dela e quando ele falou, ela sentiu as lágrimas em sua voz.
— Por favor, Nessa. Não me diga para ir embora.
Ela sabia o que ele queria dizer, não só agora, mas sempre. Seu coração encheu-se de todos os sentimentos que ela estava tentando suprimir estas últimas semanas. Lembrando como apenas algumas noites atrás, ela desejou que pudesse lhe dizer o quanto o amava, e pensava que nunca teria a chance, Vanessa abriu a boca para falar, mas fechou-a sem dizer uma palavra.
Não. Ela não podia fazer isso. Ele precisava ir.
— Eu te amo. — ele sussurrou e acariciou seu pescoço.
Vanessa não respondeu. Ela não se mexeu. Ela até tentou não respirar. Talvez se ela ficasse assim, ele pegaria a dica e partiria.

Zac não disse mais nada, mas ele não saiu. Ele permaneceu atrás dela, abraçando- a, até que ela não conseguiu segurar os olhos abertos por mais tempo e se entregou a exaustão.
~♥~♥~♥~
Não poderia deixar de parabenizar nosso loirinho dos olhos azuis 
que completou seus 30 anos dia nesta última quarta feira!!!
Zac, desejo a você toda felicidade,saúde,sucesso e todo amor do mundo!!! 
Que Deus continue abençoando sua vida 
e que você continue sendo esse ser humano incrível,
 me fazendo admirá-lo cada dia mais. Amo você  ♥


2 comentários:

  1. Oh god! Que capítulo maravilhoso... A Ashley fez bem em contar tudo ao Zac. Agora falta so a Vanessa admitir q quer ele por perto...
    Estou super ansiosa pelo próximo capítulo... Posta mais logo por favor.
    Beijoos

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  2. Que capitulo maravilhoso.tomara que a Vanessa pare de ser cabeça dura e diga para ele que o ama.Posta logo, PLEASEEEEE 😍😍😘

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